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Dez dias após roubar e estuprar garota em Rondônia, foragido é executado a tiro em cidade de Mato Grosso

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Estuprador fugiu após atacar jovem em Machadinho do Oeste

A polícia militar da cidade de Colniza (MT), a 530 km de Vilhena, foi acionada pelo aplicativo de mensagens WhatsApp, nas quais era comunicado que havia ocorrido um crime no distrito de Guatá, (Três Fronteiras) cerca de 150 quilômetros do Guariba.

O policiamento do núcleo do Distrito de Guariba se deslocou até o local onde ocorreram os fatos, e constaram que um rapaz por nome de Cleiton Oliveira Silva, que estava foragido da justiça, havia sido morto por disparo de arma de fogo. A vítima foi surpreendida por um suspeito desconhecido, que efetuou vários disparos contra ela, que não resistiu e foi a óbito imediatamente após o ataque.

A vítima havia ganhado liberdade condicional e era monitorado por tornozeleira eletrônica, porém, no dia 06 de fevereiro, Cleiton praticou um roubo e estuprou uma jovem na cidade de Machadinho do Oeste, em Rondônia, rompendo a tornozeleira e fugindo para o Distrito de Guatá, onde foi morto.

Após atender o caso, a PM acionou a POLITEC para a realização dos trabalhos de praxe no local do crime.

Um boletim de ocorrências foi registrado e o caso foi levado ao conhecimento da Polícia civil da cidade de Colniza, que passa a investigar o crime.

Fonte: Juína News
Autor: Da redação/FS

A luta para levar vacinas brasileiras para além da pesquisa básica

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Em razão das chuvas intensas, o mês de janeiro é costumeiramente marcado no Brasil por desastres como enchentes e desmoronamentos. Neste ano, entretanto, a tensão vivida pelo país foi provocada pelo recrudescimento da pandemia, que se caracterizou por muitas mortes por asfixia, ao mesmo tempo em que as autoridades buscavam importar vacinas e ingredientes para a produção interna de imunizantes.

Um lote de 2 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca foi obtido às pressas da Índia pelo governo Federal via fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e desembarcou no Brasil no dia 22, depois de uma semana de incertezas e negociações diplomáticas. A essa altura, o Instituto Butantan, órgão do Estado de São Paulo, já estava de posse de 6 milhões de dose da CoronaVac, vendidas pelo laboratório chinês Sinovac. Somando os dois imunizantes, aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no dia 17, o Ministério da Saúde dispunha de duas doses para oferecer a quatro milhões de brasileiros, ou 1,8% da população brasileira.

No dia 19, o apelo dramático de Dimas Covas, presidente do Butantan, por gestões do presidente Jair Bolsonaro junto a autoridades chinesas temperaria a liberação de 5,4 mil litros do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), necessário à produção de 8,6 milhões de doses da CoronaVac, insumo que só chegou no dia 3 de fevereiro. No dia 10, chegariam mais 5,6 mil litros a serem diluídos para a obtenção de outros 8,7 milhões de doses destinadas ao Plano Nacional de Imunizações (PNI).

O mesmo tipo de insumo, fundamental para a fabricação da Oxford/AstraZeneca pela Fiocruz, enfrentava atraso e só alcançaria o Brasil no dia 6 de fevereiro, numa primeira remessa de 90 litros, suficientes para 2,8 milhões de doses. Mais 13 remessas estão programadas para chegar, de modo que a Fiocruz cumpra o plano de envasar e rotular 100,4 milhões de doses da vacina até julho — volume semelhante ao pretendido pelo Butantan a partir do IFA importado, com possibilidade de entrega de 54 milhões de doses extras ao governo federal.

Fora isso, o Brasil deve contar em algum momento com 10,6 milhões de doses de vacinas Oxford adquiridas do consórcio global Covax Facility, coordenado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e negocia a compra de 10 milhões de doses do imunizante russo Sputnik V, desenvolvido pelo Instituto Gamaleya, além de 20 milhões de doses da Covaxin, fabricada pelo laboratório indiano Bharat Biotech. O fornecimento da Sputnik pode aumentar com o envase do imunizante pela farmacêutica brasileira União Química.

Negociações estariam também andamento com os laboratórios Pfizer, Moderna e Janssen, os três dos Estados Unidos, segundo o Ministério da Saúde.

Distribuição de doses da CoronaVac para início da vacinação no país (foto: Breno Esaki /Agência Saúde)

Um dos trunfos da Fiocruz e do Butantan, a chamada incorporação tecnológica para a produção local do IFA ainda vai testar os nervos das autoridades sanitárias às voltas com uma pandemia responsável por cenário devastador: os casos da doença caminham para 10 milhões e as mortes, para 240 mil; quase um milhão de pessoas estão “em acompanhamento”; os serviços e profissionais de saúde enfrentam estresse inédito e um número não apurado de cidadãos apresentam sequelas da doença, apesar dos 8,5 milhões na categoria de “recuperados”.

Passo decisivo no momento para uma maior autonomia do Brasil em vacinas, a capacitação tecnológica deve ser concluída em abril pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), de maneira a que, a partir de agosto, a Fiocruz possa distribuir vacinas fabricadas 100% por ela num total de 110 milhões de doses. Os planos do Butantan para fabricação do IFA terão de aguardar a conclusão de sua nova fábrica, prevista para o fim do ano.

Nas contas sempre cambiantes do Ministro da Saúde, o país poderia contar com cerca de 385 milhões de doses de vacinas contra a covid em 2021, segundo informe da Agência Brasil, mas nenhuma realmente desenvolvida aqui, a despeito dos acordos de transferência de tecnologia da Fiocruz com a Universidade de Oxford e do Butantan com a Sinovac.

No auge da incerteza sobre a capacidade de abastecimento do Brasil em vacinas, os especialistas se desdobravam em explicações sobre a dependência do país nesse campo, apesar de abrigar duas instituições de peso e contar com pesquisadores de renome internacional. Já o presidente Jair Bolsonaro anunciava que o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, desenvolvia uma “vacina brasileira”, embora não tivesse detalhes do projeto.

A declaração imprecisa do presidente referia-se, na verdade, a um programa de financiamento para a pesquisa em imunizantes voltados à covid-19 coordenado desde abril pelo ministério por meio da Redevírus MCTI, um conselho de especialistas no tema, que elegeu 15 projetos de onze instituições, nos quais foram aplicadas verbas de diferentes órgãos e rubricas no valor de R$ 9 milhões, segundo o site da pasta. Valor acima desse foi informado pelo ministério diretamente à Agência Senado (ver mais abaixo).

O presidente Jair Bolsonaro entre Marcos Pontes, ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, e Eduardo Pazuello, ministro da Saúde (foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Desenvolvida a etapa básica da pesquisa, que consiste na escolha da estratégia de obtenção do antígeno, o elemento a ser usado para induzir a formação de defesas (podendo ser anticorpos ou resposta celular), três projetos foram escolhidos para a etapa industrial por meio dos testes clínicos em humanos. Na fase da pesquisa básica, o antígeno, que pode ser o vírus inativado, parte dele ou um vírus de outra doença utilizado como veículo de programações genéticas, é testado em animais, por exemplo.

“Temos vários protótipos de vacina. O grande problema é que depois da prova de conceito e do protótipo inicial, nós não conseguimos levar isso para os testes clínicos. Não temos quem faça essa transposição. É coisa muito importante pensarmos nessa cadeia. Temos feito um grande esforço para alertar o pessoal das áreas de gestão e políticas científicas da importância de a gente ultrapassar e dar esse passo, para que nossas vacinas não fiquem paradas no vale da morte”, explicou no dia 5, em debate promovido pelo Centro de Estudos do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), o pesquisador do Instituto René Rachou (Fiocruz-Minas) Ricardo Tostes Gazzinelli. Coordenador de um projeto de vacina com chances de chegar à etapa de testagem clínica, Gazzinelli é também coordenador desde 2005 do Instituto Nacional de Ciências e Tecnologia de Vacinas (ICTV).

Segundo ele, o desenvolvimento da vacina brasileira depende de que a indústria possa “fazer o escalonamento do chamado lote-piloto em boas práticas de fabricação” e o controle de qualidade desse material que será utilizado na fase dos testes clínicos. “É onde nossas vacinas estão morrendo. A pandemia realçou isso”, acrescentou o cientista, que não vê dificuldade da ciência brasileira de realizar os testes clínicos em humanos, o que foi provado pela participação de diversas instituições na fase 3, considerada por ele a mais complexa, de vacinas como a CoronaVac, a Osxford/AstraZeneca, Pfizer/BioNTech e a Janssen.

Em outro debate, realizado virtualmente no dia 29 de janeiro pelo Instituto Questão de Ciência, o diretor do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP) e responsável pelo Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas, Luís Carlos de Souza Ferreira, havia traçado um painel amplo da cadeia mencionada por Gazzinelli:

“É preciso valorizar a ciência e entender que a autonomia nacional, a independência em qualquer área envolvendo tecnologia, mas particularmente na área de saúde, exige planejamento, plano estratégico, exige entender a matéria e ter pessoas competentes pensando como isso pode ser feito. Os projetos de desenvolvimento aqui foram errados desde o início”, lamentou.

“As fábricas de vacinas, o Butantan, a Fiocruz, nos dão muito orgulho, mas o que está cada vez mais evidente, para quase todas as vacinas, [é que] elas transferem, licenciam tecnologias desenvolvidas no exterior. Na maioria das vezes, até mesmo os reagentes, os componentes principais, já vêm prontos, como no caso das duas vacinas [CoronaVac e Oxford], são envasados, recebem o rótulo e saem os frasquinhos. É uma etapa importante? É, mas está longe de garantir a autonomia do processo integral”, avaliou ainda Ferreira.

Segundo o cientista, o Brasil está “relativamente bem na pesquisa básica”, com universidades, especialmente as públicas, assim como instituições de pesquisa, há décadas formando pessoal que estuda vírus e bactérias, reunindo conhecimentos importantes para que se possam idealizar vacinas e estratégias vacinais. Daí surgem tecnologias como a das proteínas recombinantes dispersas em diferentes vetores, bactérias, leveduras, células de mamíferos e células de insetos. As vacinas genéticas a partir de DNA e RNA estão igualmente na pauta dos cientistas brasileiros “há bastante tempo”, conforme Ferreira. Testes de laboratório em células e camundongos, por exemplo, já geraram mais de 100 artigos publicados pela USP.

“Com esses resultados, os pesquisadores publicam um artigo, felizes da vida por terem desenvolvido uma vacina, mas fica por isso mesmo. Temos desde vacina terapêutica para câncer até vacinas para cárie dental, passando por vacina para diarreia causada por bactéria, malária, fungo, herpes, zika, dengue. Temos uma infinidade de modelos. O que falta para sair da publicação e chegar lá na fábrica de vacinas, de tal maneira que a Fiocruz e o Butantan coloquem nos frasquinhos, rotulem e sirvam à população? É uma distância abissal. Nós não nos preparamos para isso”, exasperava-se o estudioso.

Laboratório da Fiocruz, no Rio de Janeiro (foto: Fundação Oswaldo Cruz)

De acordo com Ferreira, o modelo das empresas públicas e farmacêuticas privadas, é exatamente igual: “Licenciam, compram os insumos produzidos fora, empacotam, colocam nos envelopes e saem vendendo. É muito lucrativo. Tanto é que são poderosas, com balanços gigantescos, mas baseadas nesse modelo, que é muito particular. É muito interessante no curto prazo, economicamente, mas a longo prazo, em termos de autonomia nacional, de independência, é suicida”.

O papel da pandemia em iluminar, “de uma maneira gritante”, esse cenário é outro ponto de contato entre a análise de Ferreira e Gazzinelli. Nas palavras do pesquisador da USP, “o Brasil está literalmente de joelhos, pedindo que a China nos mande os insumos, que a Índia nos mande os insumos”. Para ele, o IFA, em última instância, a vacina a ser envasada, à qual se agrega um tampão [solução estabilizadora] ou se aplica um processo de diluição, é uma tecnologia limitada em termos de desenvolvimento.

E quais são essas etapas intermediárias que estão vedadas à academia?

Na descrição de Ferreira, uma vez que é feita uma descoberta numa escala pequenininha, e há indícios de que o achado é bom em condições experimentais, num camundongo, a primeira preocupação é produzir a formulação vacinal numa escala de milhares ou até centenas de milhares de litros.

“Isso não se faz num laboratório de pesquisa de uma universidade. Nenhum lugar no Brasil aqui tem uma universidade em condições para isso — e nem deve. Isso tem de ir para instituições específicas voltadas para isso, as indústrias. No entanto, as nossas indústrias, públicas ou privadas, não têm o preparo, até a competência mesmo, para produzir imunobiológicos, e mesmo princípios ativos e fármacos, em boas práticas de fabricação. Isso quebra a nossa autonomia. É um elo que precisa ser construído: instalações que tenham condições de produzir imunobiológicos em escala industrial”, enfatizou Ferreira.

Na opinião dele, essa é uma realidade em geral para o setor farmacêutico: “O Brasil perdeu essa corrida, não desenvolveu nada, só licenciou e está tentando fazer genéricos. Ferreira, pondera, entretanto, que “algumas farmacêuticas brasileiras estão correndo atrás do prejuízo, mas não para vacinas”, e sim para o desenvolvimento de anticorpos monoclonais usados em imunoterapia para câncer, cujo faturamento é de pelo menos US$ 100 bilhões por ano.

No mesmo debate, o virologista Maurício Nogueira, professor Adjunto da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto e integrante do Instituto Questão de Ciência, salientou que a carência do Brasil em matéria de vacinas é parte de um quadro amplo de lacunas e decorre da falta de uma política de verdade voltada à pesquisa, com planejamento e volume de recursos adequado. “O problema não começou no atual governo. Já vem de há muito e não se trata só de dinheiro”, alertou. Segundo ele, em épocas de mais dinheiro, faltava uma melhor definição clara do que fazer com as verbas, e recursos foram investidos em programas que ele considera equivocados.

Ainda que em desvantagem na “corrida”, o setor de pesquisas não perde a esperança de cruzar em algum momento a linha de chegada, ou seja, a distribuição ao público de uma vacina “nacional”, adjetivo que perdeu o sentido estrito, dado o nível de cooperação internacional que se estabeleceu em busca de descobertas relacionadas ao coronavírus Sars-Cov-2. A pandemia deu oportunidade à maior troca de conhecimento científico da história, de acordo com o pesquisador emérito da Fiocruz Akira Homma.

Laboratório do Instituto Butantan, em São Paulo (foto: Governo do Estado de São Paulo)

Os responsáveis pelos projetos considerados mais promissores resultantes do edital lançado em abril de 2020 pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, entre eles o Instituto do Coração (InCor) da Faculdade de Medicina da USP, fazem planos para o lote-piloto a ser utilizado nas fases clínicas (avaliação de segurança e eficácia) de 1 a 3. O quanto seria necessário para viabilizar esses planos? Os números, como é de esperar em um momento de escassez de dinheiro, não estão claros. O próprio Bolsonaro falou em cerca de R$ 300 milhões, mas esse valor seria o necessário somente para os testes em massa da fase 3 de um projeto, que podem requerer até 30 mil voluntários. Para as fases 1 e 2, as três estratégias em andamento consumiram algo em torno de R$ 90 milhões no total.

A fonte dos recursos é outro assunto em discussão. Em princípio, o governo estuda a utilização do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), cuja verba foi blindada dos contingenciamentos orçamentários usuais há muitas décadas no Brasil pela Lei Complementar 177, de 2021, resultante do projeto PLP 135/2020, aprovado por 71 votos a um no Senado e por 385 a 18 na Câmara dos Deputados. No entanto, ao sancionar a matéria, Bolsonaro vetou a proibição de que os recursos do FNDCT venham a ser colocados em reserva de contingência. Vetou do mesmo modo o desbloqueio dos recursos integrais do FNDCT de 2020. Com isso, o fundo, considerado o principal instrumento de financiamento à ciência, tecnologia e inovação, continua sob o risco de corte de 90% dos recursos para investimento.

“Essa é uma decisão catastrófica para o país, ainda mais em um momento de grave crise sanitária, econômica e social, e que caminha na direção oposta ao que fazem os países desenvolvidos”, diz um documento divulgado por 104 entidades ligadas à ciência e à pesquisa, signatárias de uma campanha contra os vetos encabeçada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) por meio de plataforma de petição. “O país continuará a ser privado de um recurso essencial para apoiar as universidades, institutos federais e instituições de pesquisa, para manter e expandir laboratórios de pesquisa e para fomentar projetos inovadores, em particular em pequenas e médias empresas, imprescindíveis para a recuperação econômica do país. A liberação dos recursos do FNDCT é também fundamental para apoiar a pesquisa científica e o desenvolvimento tecnológico no combate ao novo coronavírus”, alertam.

— Contingenciar recursos de qualquer setor já é ruim, porque pode ser considerado um confisco. Imagine confiscar dinheiro destinado à pesquisa, à tecnologia. O que falta é a valorização do conhecimento. Eu não vejo nesse governo boa vontade com pesquisa, mas há no Senado um grupo de senadores que pensa que ao invés de incentivar o contingenciamento, a gente precisa destinar mais verbas para pesquisa e temos nos esforçado para isso — afirma o senador Plínio Valério (PSDB-AM).

— Infelizmente, o que vemos é um governo que não entende nada de ciência e que, ao contrário, nega os avanços que a ciência obteve para a humanidade. O melhor momento do setor foi no ano de 2013, quando Dilma era presidente e tivemos R$ 23 bilhões de investimentos no setor. De lá para cá, as verbas destinadas à pesquisa e desenvolvimento só fizeram cair. O que é mais grave é que isso acontece, em boa parte, por um ato do próprio Poder Executivo, que contingencia o Orçamento e termina por não executar o que foi aprovado pelo Congresso Nacional — aponta o senador Jean Paul Prates (PT-RN).

Senadores Jean Paul Prates (PT-RN) e Plínio Valério (PSDB-AM). Fotos: Jefferson Rudy/Agência Senado e Edílson Rodrigues/Agência Senado)

O parlamentar dá como exemplo as bolsas de mestrado e doutorado concedidas pela Coordenação de Aperfeiçoamento do Ensino Superior (Capes), que não têm sido reajustadas e, segundo ele, estacionaram em R$ 1,5 mil para mestrado e R$ 2,2 mil para doutorado.

— Essa falta de apoio ao setor gera uma fuga de cérebros. Estamos perdendo nossos melhores pesquisadores e, até mesmo jovens promessas, para outros países, onde eles encontram melhores remunerações, laboratórios bem montados e garantia de verbas para pesquisas. O que estamos fazendo é condenar o país ao atraso e é por isso que, dificilmente, conseguiríamos desenvolver aqui no Brasil uma vacina nos prazos em que ela está sendo desenvolvida em outros países como a China, Alemanha e Índia — adverte o senador (ver abaixo entrevista completa).

— Nós fizemos a nossa parte, somos competitivos. Começamos a pesquisa de uma vacina em maio e temos um antígeno pronto para ser testado nas fases clínicas 1, 2 e 3, faltando apenas o teste de toxicidade em andamento em Santa Catarina e um teste de eficácia sendo feito nos Estados Unidos. Na segunda-feira, vamos entrar com a documentação completa na Anvisa para obtermos a autorização de prosseguimento. Isso é uma vitória. Cabe ao ministério encontrar os recursos para as próximas etapas, mas até agora não recebemos resposta — disse em entrevista à Agência Senado o professor Célio Silva, da USP de Ribeirão Preto, coordenador do projeto mais adiantado, segundo ele, dos três que chegaram à seleção final pelo MCTI.

Conforme Silva, os resultados da pesquisa feita em parceria com a startup brasileira Farmacore e o instituto norte-americano PDS, que forneceu a substância adjuvante ou carreadora, são muito promissores pela alta qualidade tecnológica aliada à simplicidade da confecção do futuro imunizante. Os pesquisadores chegaram a um antígeno (a substância que estimula as defesas do organismo) formado com uma parte da proteína spike do Sars-Cov-2, que resulta numa proteína recombinante S1 dinamizada pelo adjuvante fornecido pela PDS.

— Essa vacina vai ativar todo o sistema imunológico de uma maneira muito eficiente, com respostas celulares, e não só induzir à produção de anticorpos, além de ser facilmente reprogramada em face de variantes do vírus — explica o cientista.

Depois de utilizar R$ 3,8 milhões do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ), na modalidade de encomenda tecnológica, o projeto precisa de mais R$ 30 milhões para os testes clínicos com 120 a 200 pessoas, nas fases 1 e 2, e aproximadamente R$ 300 milhões para a fase 3, de modo que se possa repassar a tecnologia a uma empresa farmacêutica nacional, já em negociação, ao final do ano.

Vacinação contra covid-19 em Caruaru, Pernambuco (foto: Prefeitura de Caruaru)

De acordo com o secretário de Pesquisa e Formação Científica do MCTI, Marcelo Morales, os projetos em fase pré-clínica adiantada (ver arte), poderão, em breve, iniciar os estudos clínicos com voluntários humanos, mas a pasta ainda está buscando parcerias com o setor público e privado para levantar recursos necessários e acelerar o processo de desenvolvimento da vacina nacional, que seria uma realidade ao final do ano, dependendo obviamente desse dinheiro.

Até o momento, o MCTI já investiu cerca de R$ 26 milhões em projetos para desenvolvimento de uma vacina brasileira contra a covid-19, conforme Morales.

— Este investimento em várias frentes, e de maneira tão articulada, foram poucos países que fizeram, mobilizando a comunidade científica, a academia, a iniciativa privada e o Estado para potencializar ações e resultados, mesmo em um cenário tão adverso como o planeta está enfrentando — avalia o secretário.

Ele admite que o aporte “precisa avançar em termos de recursos mais robustos”, mas pondera no sentido de que “o apoio privado é essencial para que o resultado aconteça e alcance escala rapidamente”, além de ter sustentabilidade:

— Como ministério, não é função nossa ter um produto comercial, mas sim criar oportunidade para que as pesquisas viabilizem um caminho produtivo. O ministro Marcos Pontes, com uma visão estratégica, aposta que as nossas pesquisas, que são excelentes, saiam do papel para a vida das pessoas por meio de novas tecnologias e produtos, assim como já acontece em outros países. Temos todas as condições e podemos reproduzir o modelo aqui.

De uma maneira geral, a posição do MCTI, inclusive no que toca à possibilidade de contingenciamentos, é que “a alternativa viável para perenidade de investimento na ciência brasileira” está nos “recursos plenos do FNDCT”:

— Esse é o lastro garantidor da pesquisa, tecnologia e inovação nacional. Precisamos inovar. Apenas por meio da inovação nossa indústria será competitiva e robusta o suficiente para garantir a autonomia do setor. Dessa maneira, é crucial que consigamos superar o hiato entre pesquisa e inovação, para que todo conhecimento gerado em nosso país se torne produtos para nossa população e ao mesmo tempo fortaleça nossa indústria. É um círculo virtuoso.

Sobre a necessidade de estruturação do país para superar as lacunas entre a pesquisa acadêmica e a produção industrial, o secretário diz que “sempre houve um planejamento estratégico do governo federal sobre a covid-19″, que o MCTI fomentou a criação de centros especializados em testes pré-clínicos e que o setor farmacêutico tem procurado o governo “para conhecer os projetos do MCTI” e se mostrado disponível para o desenvolvimento local com investimentos em uma vacina capaz inclusive de responder a mutações do vírus.

O MCTI informa também que trabalha “na frente regulatória” em apoio ao Projeto de Lei 7.082/2017, que dispõe sobre a pesquisa clínica com seres humanos:

— Ter uma lei que regulamenta a pesquisa clínica irá trazer muito mais segurança jurídica para a realização dos ensaios clínicos em nosso país.

 CENÁRIO BRASILEIRO

O governo brasileiro selecionou 15 candidatas nacionais a novas vacinas contra o Sars-CoV-2, todas elas na fase pré-clínica de desenvolvimento

Desenvolvedor

Plataforma tecnológica / Tipo de vacina

Bio-Manguinhos / Fiocruz

Vacina sintética

Bio-Manguinhos / Fiocruz

Vacina baseada em subunidade proteica

 Instituto René Rachou (Fiocruz/MG) / Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Vacinas (INCTV)

Vacina baseada em vetores virais

Instituto Butantan / Dynavax / PATH

Vacina de vírus inativado (vacina inativada)

Instituto Butantan

Vesículas de membrana externa (Outer membrane vesicles, OMVs) em plataforma de múltiplos antígenos (Multiple Antigen Presenting System, MAPS)

Instituto Butantan

Vacina baseada em partículas semelhantes a vírus (VLP – Virus-Like Particle)

 Instituto do Coração (InCor) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) / Universidade de São Paulo

Vacina baseada em partículas semelhantes a vírus (VLP – Virus-Like Particle)

Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP)

Ácido nucléico (DNA)

Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP)

Vacina baseada em nanopartículas

 Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP), Ribeirão Preto

Vacinas baseadas em proteína recombinante

Universidade Federal de Viçosa

Vacina baseada em proteína recombinante

Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP)

Vacina baseada em nanopartículas

Universidade Federal do Paraná (UFPR)

Vacina baseada em nanopartículas

Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Ácido nucléico (DNA)

Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos, Universidade de São Paulo (USP)

Vacina baseada em vetores virais

 Projetos mais avançados e escolhidos para as fases clínicas. O da USP Ribeirão Preto lidera a corrida, segundo os próprios responsáveis

Apesar de contar com parceiros privados em seu projeto, Célio Silva vê com ceticismo no momento uma participação mais ativa da iniciativa privada no processo industrial das vacinas em sua fase final de testes e na produção dos imunizantes. Conforme o pesquisador, “no mundo todo” é o governo que dá suporte financeiro à montagem dessas plataformas. Ele citou como exemplo os cerca de US$ 2 bilhões investidos na Moderna, responsável por uma das vacinas de RNA mensageiro em voga, que entre suas fontes recebeu 955 milhões da Barda, uma agência oficial de pesquisa avançada e desenvolvimento. O consórcio Pfizer BioNTech recebeu 375 milhões de euros do governo alemão e a parceria Oxford-AstraZeneca, 366 milhões.

— As empresas farmacêuticas privadas nacionais, bem como as multinacionais, não têm relevância na produção de vacinas no país. Ao mesmo tempo, o Brasil possui poucas empresas de base biotecnológica (tal como a norte-americana Moderna), embora tenha uma produção científica relevante na área. A questão é que a produção e comercialização de vacinas no mercado não é uma tarefa das universidades, mas de empresas que investem em pesquisa e desenvolvimento (P&D), na maior parte das vezes em parceria com universidades — analisa Fernanda De Negri, pesquisadora da Diretoria de Estudos e Políticas Setoriais de Inovação e Infraestrutura do Ipea (Diset) e coordenadora do Centro de Pesquisa em Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS/Ipea).

Fábrica da União Química, no Distrito Federal, que deve produzir a vacina russa Sputnik V (foto: Renato Alves/Agência Brasília)

Segundo a estudiosa, o investimento em P&D da indústria farmacêutica no Brasil é de cerca de 2,6% do seu faturamento. E mesmo sendo um dos setores que mais investe em P&D no país, investe muito menos do que é usual no exterior. A indústria farmacêutica mundial investe entre 10% e 15% do seu faturamento:

— Isso explica parte da baixa capacidade inovadora dessa indústria no nosso país e, consequentemente, porque o desenvolvimento de vacinas no Brasil é um processo mais demorado do que no resto do mundo. A ampliação ou construção das fábricas do Butantan e da Fiocruz é um avanço nessa direção, mas seria importante que pudéssemos contar também com fabricantes privados no país.

Quanto aos investimentos públicos federais em P&D estão “em queda livre” desde 2015, segundo Fernanda De Negri.

— É muito difícil preservar a base de conhecimento instalada no país com cortes tão profundos no orçamento destinado à pesquisa nas universidades e instituições de pesquisa — assinala.

Tomadas apenas as três principais fontes de recursos para pesquisa científica e tecnológica no Brasil, que são FNDCT, CNPq e Capes, o orçamento executado pelas três instituições, que era de R$ 13 bilhões em 2015 (valores já corrigidos pela inflação) passou para R$ 5 bilhões em 2020, uma queda de aproximadamente 61,4%.

E as ações tomadas pelo governo brasileiro para o apoio à pesquisa sobre a covid-19, foram bastante modestas em comparação com o resto do mundo. Detalhes estão em estudo do Ipea. Numa comparação com outros quatro países, o Brasil registra um investimento em P&d direcionado à pandemia equivalente a 1,8% do Orçamento federal contra 4,1% dos Estados Unidos, 10,8% do Reino Unido, 11,8% do Canadá e 6,3% da Alemanha.

  INVESTIMENTO EM PESQUISA CIENTÍFICA

(em R$, valores corrigidos pelo IPCA)

Fonte: Ipea

Made with Flourish

 

Fernanda De Negri prevê que construir uma base industrial competitiva no setor farmacêutico levará tempo, a despeito do parque instalado e em instalação pela Fiocruz, atualmente responsável por 150 milhões de doses por ano, e do Butantan (60 milhões de doses anuais). Mecanismos de encomendas tecnológicas, como a que beneficiou o projeto da USP de Ribeirão Preto “podem ser interessantes nesse contexto”, segundo a pesquisadora, mas exigem que o acesso a insumos e tecnologias importadas não seja prejudicado por tarifas de importação pesadas ou mecanismos regulatórios ineficientes.

Uma das etapas mais difíceis a vencer é a instalação de laboratórios com níveis altos de biossegurança, necessários quando se trata de pesquisa e desenvolvimento com patógenos altamente infecciosos, cuidados que estariam sendo tomados na nova fábrica do Butantan, por exemplo.

Fernanda De Negri considera muito baixo o investimento anunciado pelo MCTI para as pesquisas de vacinas, especialmente quando fragmentado em vários projetos. Outra dificuldade do programa é a ausência de empresas pesquisando em parceria com as universidades:

— Geralmente, em estudos de fase 3, já existe uma empresa interessada em produzir a vacina, caso ela seja efetiva. Digamos que o estudo de uma dessas universidades seja bem-sucedido, quem será responsável por escalonar, produzir e vender a vacina no mercado brasileiro? Esse não é o papel das universidades e elas tampouco sabem como fazer isso. Não por acaso, todas as vacinas que o mundo desenvolveu até o momento foram encabeçadas por empresas, muitas delas em parcerias com universidades (AstraZeneca com Oxford, Moderna com os National Institutes of Health, Pfizer etc). Não é possível fazer inovação sem alguém para produzir em larga escala.

A CORRIDA DE OBSTÁCULOS DAS VACINAS BRASILEIRAS

Clique para saber mais sobre cada etapa

   ESTÁGIO 1

Pesquisa básica realizada em universidades e organizações similares como institutos especializados na tecnologia de vacinas. O Instituto Nacional de Ciências e Tecnologia em Vacinas (INTCV) é uma rede que congrega vários laboratórios.

Entregas: Nesse estágio são elaboradas as provas de conceito e os protótipos de vacinas a serem entregues à indústria.

Resultados: Muito bons. Os pesquisadores têm mostrado grande capacidade de estudar os agentes infecciosos e desenvolver antígenos a partir de vírus inativados, proteínas de vírus e outras técnicas de interferência genética, que são testados em células e animais para verificar a resposta imunológica.

       ESTÁGIO 2

Os protótipos são encaminhados às indústrias, que devem reproduzi-los em escala maior, com alto grau de segurança biológica e precisão.

Entregas: Compostos feitos a partir dos modelos de laboratórios de pesquisa básica de modo a que possam servir a testes clínicos de segurança devem sofrer rigorosas avaliações de qualidade para verificar pureza e estabilidade do material.

Resultados: Ruins. Há precariedade nas pontes entre a área de pesquisa básica e a indústria privada, no apoio governamental, principalmente a startups, e despreparo do setor industrial para o escalonamento da produção de compostos dentro das Boas Práticas de Fabricação (BPF). Além disso, há problemas de propriedade intelectual (lentidão para concessão de patentes), que levam à insegurança de pesquisadores e empresas. Por isso esse estágio tem sido por vezes chamado de “vale da morte das vacinas brasileiras”.

           ESTÁGIO 3

Os compostos já pré-clinicamente testados são expostos a testes clínicos, ou seja, em humanos para se verificar a segurança e a resposta imunológica.

Entregas: O futuro Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) é submetido as fases 1, 2 e 3 de testes clínicos. As fases 1 e 2 servem para testes de segurança e eficácia em grupos menores de pessoas, enquanto a fase 3, executada em grupos de milhares e até dezenas de milhares de voluntários, o foco é na eficácia, embora a segurança também seja um elemento importante. Eventos graves, como reações alérgicas ou morte de voluntários podem levar à interrupção da fase 3 para avaliação.

Resultados: O Brasil tem participado com eficiência da testagem em fase 3 de várias vacinas importantes, como a Oxford/AstraZeneca, a CoronaVac e Pfizer/BioNTech, mas apenas como um parceiro operacional. Arregimenta voluntários, organiza os testes, acompanha os resultados e envia os relatórios aos desenvolvedores. As fases 1 e 2, nas quais o ingrediente é desenvolvido e refinado, estão reservadas a quem domina toda a cadeia da produção de vacinas.

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O Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) é importado dos laboratórios no exterior e convertido em vacinas a serem distribuídas e aplicadas.

Entregas: O IFA tem de ser diluído, fracionado e envasado em ampolas a serem encaminhadas aos locais de vacinação com os rótulos próprios. Esse processo exige grande preparo, eficiência e segurança para garantir a conservação tanto do IFA quanto das vacinas propriamente ditas contra a deterioração, seja por elementos contaminantes, seja por temperaturas inadequadas.

Resultados: Muito bons. As fábricas da Fiocruz e do Instituto Butantan têm uma larga e reconhecida experiência nessa atividade.

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As vacinas são distribuídas pelo governo e aplicadas na população pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Entregas: Como parte do Plano Nacional de Imunização (PNI), o Ministério da Saúde deve coordenar a distribuição e a aplicação de vacinas dentro de um cronograma pré-estabelecido e levando em conta as diferentes realidades do país e as prioridades em termos de público alvo.

Resultados: Há algumas décadas, o SUS tem mostrado grande eficiência na distribuição e aplicação de vacinas num território vasto e diversificado como é o do Brasil. Especificamente durante a pandemia da covid-19, o plano de imunização tem recebido críticas em razão do atraso em sua elaboração e na improvisação que se seguiu. Ao contrário de outras campanhas de vacinação, há atualmente muitas denúncias de desrespeito à fila de prioridades por pessoas não autorizadas a serem vacinadas no primeiro momento e mesmo desvio de vacinas por profissionais de saúde.

Anvisa

O papel da Anvisa

Como agência reguladora da área de vigilância sanitária, a Anvisa deve estar presente em todas as etapas dessa cadeia.

Entregas: Deve expedir normas que garantam a qualidade técnica e a segurança biológica e farmacológica dos processos e produtos relacionados ao desenvolvimento, produção, importação e distribuição de vacinas, de modo a garantir o bem-estar da população.

Resultados: Até a pandemia de covid-19, especialmente porque nunca houve uma emergência sanitária desse porte na história recente, o papel da Anvisa quanto a vacinas nunca havia sido questionado. Em meio a pressões políticas, a agência busca no momento garantir o espaço para agir apenas com base em critérios técnicos quanto à liberação emergencial de imunizantes.

Fonte: elaboração própria a partir de informações de Ricardo Gazzinelli, Luís Carlos de Souza Ferreira, Maurício Nogueira, Célio Silva e do noticiário sobre a covid-19. Alguns termos técnicos foram adaptados para a linguagem jornalística; alguns passos foram simplificados para facilitar a compreensão.


Entrevista

Senador Jean Paul Prates (PT-RN)

 

“Liberar verbas no meio de uma emergência sanitária não é política de apoio à pesquisa”

Parlamentar, que assinou pedido de instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as ações de combate à covid-19 do governo Bolsonaro, diz que investimentos em ciência devem ser feitos a longo prazo. Infelizmente, o que vemos é um governo que não entende nada de ciência e que, ao contrário, nega os avanços que a ciência obteve para a humanidade”. 

Senador Jean Paul Prates (PT-RN). Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O Brasil enfrenta no momento a necessidade urgente de vacinar o maior número de pessoas possível para conter a epidemia de covid-19. Ocorre que o país depende exclusivamente de vacinas fabricadas total ou parcialmente no exterior. Não é o único nessa situação, mas não precisaria estar em tamanha carência, caso viesse investindo há algum tempo estruturação de um parque vacinal, segundo o que dizem autoridades em virologia, epidemiologia e imunização. O que falta para o Brasil ter mais independência nesse setor? 

O Brasil não aderiu logo de início à coalizão global pelas vacinas. Fez isso apenas em setembro e com isso só garantiu vacinas no ano de 2021 para 10% dos brasileiros. O [Luiz Henrique] Mandetta [ministro da Saúde] saiu do governo em abril de 2020, demitido pelo Bolsonaro, e de lá para cá as coisas só pioraram. Depois dele a gente teve um ministro relâmpago e depois um especialista em logística que a gente sabia que não entendia de saúde e agora descobrimos que também não entende nada de logística.

As políticas do governo Bolsonaro na área de saúde e especialmente no combate à pandemia são erráticas, para não dizer que, em alguns momentos, sejam também criminosas. O Brasil é um produtor de vacinas respeitado globalmente. Nós produzimos e exportamos para mais de 70 países. Garantimos a produção local para o nosso programa de imunização. Produzir vacinas não é nosso problema. Nisso temos experiência. O drama é o desenvolvimento das vacinas. Desde 2016, as verbas para ciência e tecnologia estão se reduzindo. Em 2020, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações teve um orçamento de 3,6 bilhões de reais. Em 2021, devem ser 2,7 bilhões, o que representa menos de um terço das verbas de dez anos atrás. Para desenvolver vacinas, é preciso ter ciência sendo feita no Brasil. E para um país que já teve o Ciência sem Fronteiras, o que estamos vivendo hoje é um país sem ciência. Lamentável! 

Estudo do Ipea indica a continuidade, em 2020, de uma tendência de queda nas verbas para pesquisa e desenvolvimento iniciada em 2015. Há um horizonte para que a pesquisa e o desenvolvimento científico no Brasil fiquem protegidos dos famosos contingenciamentos orçamentários? 

Infelizmente, o que vemos é um governo que não entende nada de ciência e que, ao contrário, nega os avanços que a ciência obteve para a humanidade. A gente observa por essa pesquisa do Ipea que o melhor momento do setor foi no ano de 2013, quando Dilma era presidente. Naquele ano tivemos 23 bilhões de investimentos no setor e de lá para cá as verbas destinadas à pesquisa e desenvolvimento só fizeram cair.  O que é mais grave é que isso acontece, em boa parte, por um ato do próprio Poder Executivo, que contingencia o Orçamento e termina por não executar o que foi aprovado pelo Congresso Nacional. 

Veja por exemplo as bolsas de mestrado e doutorado concedidas pela Capes. Elas não são reajustadas desde o ano de 2013. São R$ 1,5 mil para mestrado e R$ 2,2 mil para doutorado. Essa falta de apoio ao setor gera uma fuga de cérebros. Estamos perdendo nossos melhores pesquisadores e, até mesmo jovens promessas, para outros países, onde eles encontram melhores remunerações, laboratórios bem montados e garantia de verbas para pesquisas. O que estamos fazendo é condenar o país ao atraso e é por isso que, dificilmente, conseguiríamos desenvolver aqui no Brasil uma vacina nos prazos em que ela está sendo desenvolvida em outros países como a China, Alemanha e Índia.

Estudiosos no campo da imunização observam que a questão do desenvolvimento de vacinas nacionais, se é que se pode usar esse termo, alertam não só para a escassez de verbas, mas também para as lacunas do nosso parque vacinal, que é muito farto em estudos acadêmicos, com resultados muitos bons em pesquisa básica, mas que não passam da fase pré-clínica. Falta ao Brasil a parte industrial, na qual insumos podem ser produzidos em larga escala e padrões rigorosos de segurança para os testes clínicos das fases 1, 2 e 3. Que medidas e incentivos governamentais deveriam ter lugar para sanar essas lacunas? 

Butantan, em São Paulo, Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro e Fundação Ezequiel Dias, em Minas Gerais, são algumas instituições públicas que já produzem vacinas no Brasil. Produzir em larga escala uma vacina como a da Covid é só uma questão de investimentos em planta industrial e não é muito complicado. O problema é o domínio da cadeia e a licença de produção.

Hoje, existem pelo menos 11 grupos de pesquisas no Brasil trabalhando para desenvolver vacinas 100% nacionais. Quase todas elas utilizando tecnologia segura e que já foi aplicada em outras vacinas aprovadas em todo o mundo. O problema é que a fase de testes clínicos envolve a aplicação das vacinas e placebos em milhares de pessoas e isto tem um custo na casa das centenas de milhões de reais. Quando o governo prevê R$ 2,7 bi de orçamento para o Ministério da Ciência e Tecnologia neste ano fica difícil acreditar que esses grupos de pesquisa tenham acesso ao financiamento necessário para, rapidamente, chegar a uma vacina eficiente.

Em que medida esse apoio do ministério pode significar uma reversão do quadro de desnutrição orçamentária vivido por esse setor?

O Governo tem uma incoerência entre o discurso e a prática. O que eles divulgam nem sempre, ou melhor, quase sempre termina por não corresponder à realidade.  Temos, apesar da falta de incentivos por parte do governo, brilhantes grupos de pesquisa brasileiros nesta e em outras áreas de conhecimento. Vamos torcer para que o Ministério da Ciência e Tecnologia consiga liberar as verbas para esses pesquisadores. É preciso lembrar que, mesmo que eles não consigam produzir uma vacina eficiente, o trabalho destes grupos gera conhecimento que pode nos ajudar em outra pandemia que pode chegar a qualquer instante.

É bom lembrar ainda que os investimentos em ciência são de longo prazo. Liberar verbas no meio de uma emergência como a que vivemos é importante, mas é preciso ter consciência de que esta não é uma política de incentivo ao setor que está penando desde 2013 com a falta de apoio por parte do governo. 

Fonte: Agência Senado

Governo assegura recebimento de mais 54 milhões de doses de vacina contra Covid-19

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Contrato encaminhado pelo Ministério da Saúde à Fundação Butantan garantirá que o país tenha, no total, 100 milhões de doses da Coronavac

O Ministério da Saúde assegurou mais 54 milhões de doses da vacina Coronavac contra a Covid-19, que, com outras 46 milhões desse imunizante já contratadas, permitirá distribuir aos estados, até setembro, 100 milhões de doses, conforme contrato assinado na última segunda-feira (15), à noite, pela Fundação Butantan.

“O ministério tinha a opção de comprar essa remessa adicional da Coronavac até 30 de maio, como estava previsto no acordo que assinamos com o Butantan em janeiro, para garantir 46 milhões de doses que, além de confirmadas, começaram a ser entregues em 18 de janeiro. Preferimos adiantar a confirmação para termos logo essas 54 milhões de doses”, explicou o secretário executivo, Elcio Franco.

Além da Coronavac, o país receberá até dezembro mais 42,5 milhões de doses de vacinas fornecidas pelo Consórcio Covax Facility. Outro fornecedor de imunizantes contra o novo coronavírus é a Fundação Oswaldo Cruz, com quem estão contratadas mais 222,4 milhões de doses que começaram a ser entregues no mês passado.

A pasta ainda negocia com outros laboratórios para ampliar, ainda em 2021, as milhões de doses que o Brasil tem atualmente contratadas, fora outras 10 milhões que poderão vir a confirmar com os fornecedores da Sputnik V e da Covaxin.

Com informações do Ministério da Saúde

Campanha Fevereiro Laranja busca conscientizar sobre a leucemia

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Iniciativa reforça a importância do diagnóstico precoce da doença

O segundo mês do ano é dedicado à campanha Fevereiro Laranja, que tem como objetivo conscientizar as pessoas sobre a leucemia e a importância da doação de medula óssea. Atualmente, essa doença ocupa a nona posição nos tipos de câncer mais comuns em homens e a 11ª em mulheres. Dados do Instituto Nacional de Câncer (InCA) apontam que, para cada ano do triênio 2020-2022, serão diagnosticados, no Brasil, mais de 10 mil casos novos de leucemia, sendo 5.920 em homens e 4.890 em mulheres.

A médica hematologista Giovanna Durigon, que atua no Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago, da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), vinculada ao Ministério da Educação (MEC), ressaltou a relevância do Fevereiro Laranja tanto para alertar sobre possíveis sintomas quanto para tratar da prevenção, para conscientizar sobre a necessidade de exames e, principalmente, sobre a importância da doação de medula óssea. “O tratamento é basicamente quimioterápico, mas as indicações de transplante de medula são muito positivas, principalmente no caso de pacientes jovens”, explicou.

O transplante de medula óssea é indicado em casos de alto risco. O primeiro passo é a investigação dos familiares de primeiro grau do paciente em busca de compatibilidade. Caso isso não ocorra, é registrada a necessidade em um banco de medula. Os doadores voluntários são examinados e os resultados também vão para esse banco. No momento em que surge a compatibilidade entre o doador e o paciente, é feito o procedimento de coleta do material. A doação é importante, pois a chance de encontrar doadores compatíveis é relativamente baixa.

Tipos de transplante

Hoje, existem dois tipos principais de transplante de medula: o autólogo e o alogênico. O autólogo é aquele em que o próprio indivíduo é doador das células-tronco que são coletadas antes que ele seja submetido a sessões de quimioterapia, com a finalidade de destruir a medula doente e eliminar o câncer. Após essa fase, é feita a infusão das células-tronco que foram retiradas do paciente.

No tipo alogênico, as células-tronco são de um doador. Nesse caso, é sempre investigada a compatibilidade entre membros da família. Se não houver familiar compatível, é preciso buscar um doador nos bancos de medula óssea.

Para ser doador, basta ter entre 18 e 55 anos, apresentar boas condições de saúde, não ter apresentado ou estar em tratamento de câncer, doenças no sangue, no sistema imunológico ou ainda doenças infecciosas e se cadastrar em um hemocentro.

Ao fazer o cadastro, o doador faz a coleta de 5 ml de sangue para testes de compatibilidade e o resultado fica arquivado no cadastro de medula óssea. Caso o doador seja compatível com algum paciente da lista de espera, ele será convidado a fazer a doação.

A doença

A leucemia é um tipo de câncer que causa o crescimento acelerado e anormal nas células do sangue, responsáveis pela defesa do organismo, os leucócitos. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado aumentam as chances de cura, e, com isso, os especialistas alertam para sintomas como anemia, cansaço e fadiga, queda de imunidade, baixa na contagem de plaquetas, infecção, febre, hematomas e sangramentos espontâneos.

O diagnóstico é feito por meio de exames laboratoriais, como o hemograma, mas deve incluir ainda exames de bioquímica, de coagulação, além de mielograma, imunofenotipagem e cariótipo, que são os exames de medula óssea.

Referências na Rede

O Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago é referência no atendimento a pacientes com leucemia em Florianópolis (SC), com uma equipe multiprofissional composta por médicos, profissionais de enfermagem, psicólogos, nutricionistas, assistentes sociais, entre outros.

O Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia também possui equipe multiprofissional que faz o diagnóstico e tratamento de leucemia, incluindo o transplante autólogo de medula óssea.

 

Com informações do Ministério da Educação

Mércia Santos/CN

Programa amplia a capacidade de cobertura diária contra o crime

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Ferramenta fornece imagens em alta precisão de todo o território nacional que auxiliam na identificação de delitos

O Ministério da Justiça e Segurança Pública conta com cerca de 1.450 usuários cadastrados para utilizar o sistema de monitoramento do Programa Brasil M.A.I.S (Meio Ambiente Integrado e Seguro), que apoia o combate aos crimes ambientais e ao crime organizado.

Lançado em 2020, o recurso amplia a capacidade de cobertura diária com imagens em alta precisão de todo o território nacional que auxiliam na identificação de crimes como tráfico de entorpecentes e crimes ambientais como fraudes em manejo florestal, desmatamento, mineração irregular e queimadas. Mesmo em ambientes com alta nebulosidade, como a floresta Amazônica, o desempenho da tecnologia garante bons resultados.

A ferramenta permite receber cinco vezes mais imagens, com resolução sete vezes melhor, de todo o território nacional. O recurso é disponibilizado, de forma gratuita, para órgãos federais, estaduais e municipais, e para todas as instituições integrantes do Sistema Único de Segurança Pública (Susp).

“É preciso avançar. E avançar com rapidez. É preciso tecnologia, investimento em inteligência, em conhecimento, investimento no ser humano que é o policial, ou seja, um sistema único que garanta homogeneidade, atuação coordenada, efetiva, sistêmica e integrada de todos os órgãos de segurança pública do país”, afirmou o ministro da Justiça, André Mendonça.

A plataforma garante imagens das últimas 24 horas, além de acesso do acervo diário do sistema, desde 2017, o que torna possível comparar mudanças ocorridas ao longo do período. Os interessados em aderir devem enviar ofício para a Secretaria Executiva do Ministério da Justiça e Segurança Pública ou pelo site do ministério.

Projetos-Piloto

Antes de ser implantado, projetos-piloto do Brasil M.A.I.S foram desenvolvidos ao longo de dois anos. Um deles permitiu a deflagração da Operação Arquimedes, que bloqueou mais de R$ 50 milhões e apreendeu oito mil metros cúbicos de madeira no Amazonas.

“Estamos, agora, inaugurando uma nova página no combate a esses ilícitos e esperamos com isso obter incríveis resultados em todos os órgãos”, ressaltou o diretor técnico-científico da Polícia Federal, Alan de Oliveira Lopes.

O programa recebeu o investimento de R$ 49 milhões do Fundo Nacional de Segurança Pública.

 

Assessoria

Prazo para aderir ao Sisu será ampliado até 23 de fevereiro

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Com isso, a adesão e a confirmação passam a ter a mesma data final
As instituições públicas de educação superior ganharão mais tempo para aderir ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e ofertar vagas no primeiro processo seletivo de 2021. O prazo será ampliado para que a adesão possa ser realizada até o dia 23 de fevereiro. Anteriormente, esse prazo terminaria nesta sexta-feira, 12. Ele teve início no dia 8 de fevereiro. 

Essa alteração do edital de adesão ao Sisu, que será publicada no Diário Oficial da União (DOU), no próximo dia útil, apenas unificará os cronogramas, antes estanques, dos dois procedimentos previstos em edital, que são a adesão e a retificação, se for o caso, das informações constantes nos documentos de adesão. O prazo final desse último procedimento não foi alterado. Ele terminará também no dia 23 de fevereiro. 

É de exclusiva responsabilidade da instituição participante do Sisu descrever, no documento de adesão, as condições específicas de concorrência às vagas por ela ofertadas no âmbito do Sisu. A assinatura do termo de adesão de cada instituição ocorrerá, exclusivamente, por meio do sistema de gestão do Sisu, no endereço eletrônico http://sisugestao.mec.gov.br, até o prazo limite definido em edital. 

O Sisu é o sistema informatizado do MEC, no qual as instituições públicas de educação superior, sejam elas federais, estaduais ou municipais, oferecem vagas a serem disputadas por candidatos inscritos em cada edição da seleção. Os candidatos são selecionados para as opções de cursos indicadas no ato de inscrição, de acordo com a melhor classificação de nota obtida na edição mais recente do Enem, que será a de 2020.

Cronograma de inscrições

As inscrições para o processo seletivo do Sisu, edição do 1º semestre de 2021, ocorrerão de 6 a 9 de abril. As inscrições serão realizadas, exclusivamente, na página do Sisu. O cronograma completo e as regras dessa edição constam no Edital nº 10, publicado na quinta-feira, 11, no DOU. 

Inscrições: de 6 a 9 de abril;
Resultado da chamada única: 13 de abril;
Matrícula ou registro acadêmico: de 14 a 19 de abril;
Manifestar interesse em participar da lista de espera: de 13 a 19 de abril.

 

 Assessoria de Comunicação Social do MEC com informações da Secretaria de Educação Superior/Sesu

Grávida de 8 meses e marido são executados a tiros

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Crime aconteceu na noite desta terça-feira no bairro Embratel, em Vilhena.

Um triplo assassinato ocorreu na noite desta terça-feira, 16, próximo ao Clube da Embratel, no bairro Embratel, em Vilhena.

De acordo com informações obtidas no local do fato pela reportagem do Extra de Rondônia, Luana Santos da Anunciação, de 18 anos, gravida de 8 meses e seu amásio Kevin Jhonatan da Silva, de 19 anos, conhecido por “kevinho” foram mortos com 8 tiros de pistola .40.

Vizinhos contam que por um instante ouviram muitos tiros e gritos de socorro, porém, por receio não saíram para averiguar a situação.

Parentes de Kevinho que moram nas proximidades relataram a polícia que também ouviram disparos de arma de fogo e algum tempo após dois cachorros da vítima chegaram na casa da mãe dele e estavam inquietos, com isso, foram ao imóvel e encontraram Kevinho morto e a esposa agonizando, ela ainda teria dito para que salvassem seu filho.

Luana foi atingida por um disparo na barriga e Kevinho por sete tiros pelo corpo.

A Polícia Militar (PM) foi chamada e isolou a área até a chegada da Polícia Técnica Científica (Politec), que após os trabalhos de praxe liberou os corpos para uma funerária.

No imóvel a polícia encontrou porções de entorpecentes, uma balança de precisão entre outros objetos.

O caso será investigado pela Polícia Civil.

Fonte: Extra de Rondônia

Eyder Brasil destina emenda a Associação Bom Jesus em Porto Velho

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O deputado estadual Eyder Brasil (PSL) destinou através de emenda parlamentar, o valor de R$ 77.165 à Associação dos Produtores Rurais e Chacareiros (ASPROCHA), do Ramal Bom Jesus.

De acordo com o parlamentar, o objetivo desta emenda é a aquisição de máquinas e implementos agrícolas adequados para atender a necessidades das unidades de produção, já que as famílias da comunidade, atualmente, enfrentam problemas econômicos devido ao baixo retorno das lavouras.

Através dessa emenda, serão adquiridos materiais como: roçadeira de arrasto, perfurador de solo e distribuidor de calcário para facilitar a mão de obra local.

Para os agricultores esse investimento vai fortalecer a produção da agricultura familiar, dinamizar a produção e proporcionar novas oportunidades de negócios com mais rentabilidade.

 

 

Assessoria

Lomba vê Inter “acostumado” a jogos grandes e projeta decisão com o Flamengo pelo título

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Em entrevista aos canais oficiais do Inter nesta quarta-feira, o goleiro Marcelo Lomba, um dos líderes do elenco, citou todas as “decisões” enfrentadas pela equipe recentemente na disputa pela liderança do Campeonato Brasileiro. E disse que a equipe está acostumada a atuar em partidas deste porte.

— A gente sabe que é um jogo muito importante. Apenas um resultado é decisivo, a vitória do Inter, então a gente vai lá buscar esse resultado. Claro que Flamengo não vai querer deixar escapar. O Inter vem numa batida forte, é um grupo que está acostumado a jogar esse jogos, fizemos uma maratona de jogos decisivos. Então estamos com uma expectativa boa, com os pés no chão, apoiado no trabalho que vem sendo construído — diz o goleiro.

O Inter é líder do Brasileirão com 69 pontos. O Flamengo é vice-líder, com 68. O Colorado joga por uma vitória para ser campeão já neste domingo, no Maracanã.

O Inter só será campeão neste domingo se ganhar. Mas um empate no Maracanã também garante vantagem de um ponto para o Colorado para a última rodada. E Lomba aposta na solidez defensiva do esquema com Abel Braga para sair sem ser vazado na partida.

— É um modelo de jogo que encaixou, uma defesa que tem bloqueado os ataques pelos lados dos adversários, é um time que sofre poucos gols, mas não deixa de atacar. Tanto que tem o artilheiro do campeonato, tem o Yuri, tinha o Paolo. Então a gente mescla bem entre se defender seguro e também um ataque rápido, que faz gols — analisa.

Zé Gabriel é o favorito para substituir Cuesta

O elenco colorado fez o segundo treino em preparação para o duelo decisivo nesta terça-feira. O clube mantém mistério, mas deve pagar R$ 1 milhão para ter Rodinei contra o Flamengo. Resta a Abel Braga definir quem será o substituto de Víctor Cuesta, suspenso na partida.

Zé Gabriel é o favorito para assumir a posição ao lado de Lucas Ribeiro. Pedro Henrique e Matheus Jussa correm por fora na disputa. A improvisação de um dos volantes no setor é bastante improvável.

O provável Inter tem: Marcelo Lomba; Rodinei, Lucas Ribeiro, Zé Gabriel (Pedro Henrique ou Matheus Jussa) e Moisés; Rodrigo Dourado, Edenílson, Praxedes, Caio Vidal e Patrick; Yuri Alberto

 

O Inter treina em Porto Alegre na quinta e na sexta-feira à tarde e tem uma atividade no CT do Parque Gigante no sábado pela manhã, antes do embarque para o Rio de Janeiro. O Colorado enfrenta o Flamengo neste domingo, às 16h, no Maracanã, pela 37ª rodada do Brasileirão.

Por GE

FIFA 21: time de Ronaldinho denuncia “conflito de intereses” em gestão de esports da CBF

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Empresa especializada que gere a eSeleção também comanda departamento de esports do Cruzeiro e da Netshoes; CEO da E-Flix defende parceria com a entidade máxima do futebol nacional: “Gestão autônoma e independente”

O manager da R10 Team, Renato Sá Neto, enviou uma denúncia em forma de e-mail para a assessoria de imprensa da CBF quanto à gestão de esports da entidade. De acordo com o cartola da organização de Ronaldinho Gaúcho, haveria um conflito de interesses com a gestora do projeto, a E-Flix. A empresa especializada comanda a eSeleção Brasileira de FIFA 21 e também gere o departamento de esporte eletrônico do Cruzeiro e da Netshoes.
Na nossa opinião, existe um evidente conflito de interesses, que é percebido claramente pelas pessoas sérias do cenário de FIFA. E isso certamente afetará a CBF.
— Renato Sá Neto, da R10, sobre relação CBF e E-Flix

No fim do 2020, a CBF em parceria com a E-Flix chegou a lançar um curso de coaching especializado no FIFA 21. Antes chamada de Rafifa Academy, a eCBF School permite aula com pro players, campeonatos semanais, dicas de trade e mercado de transferências, além de sorteios de consoles e camisas de futebol.

Uma das reclamações de Renato no e-mail em que o ge teve acesso exclusivo seria a falta de atenção dada aos recentes títulos de Paulo Henrique “PHzin”. O jogador da R10 Team foi bicampeão sul-americano e recebeu até elogios do ex-craque Ronaldinho Gaúcho, mas não teve o reconhecimento das redes sociais da CBF eSeleção.

Nesta semana, porém, o título continental de Pedro Resende, da Inter de Milão, foi noticiado pelas redes da CBF eSeleção com uma arte e nas respostas houve uma citação aos dois campeonatos conquistados por PHzin anteriormente para o país.

Em entrevista ao ge, o CEO da E-Flix Marcelo Fadul rechaçou qualquer possibilidade de conflito de interesses ou de beneficiamento aos atletas de Netshoes e Cruzeiro. De acordo com o mandatário da CBF eSeleção, a relação que já dura quase um ano é completamente independente.

– Desde o início da relação entre E-Flix e CBF, estabelecida em março de 2020, a gestão tem sido autônoma e independente, com equipe própria para a eSeleção. Nenhum atleta das equipes gerenciadas pela E-Flix foi ou será beneficiado – relata.

Ao ser questionado sobre a falta de postagens e atenção ao título de PHzin, Marcelo Fadul fez questão de explicar o motivo de Pedro Resende ter recebido um post especial. Sobrou até cutucada no manager da R10 Team.

– Foram feitos os posts, e houve uma decisão de começar a colocar a partir deste qualify. Estranhamos muito o argumento de conflito deste senhor, uma vez que nenhum dos atletas citados no post é referente a E-Flix e o seus atletas foram citador com conquistas anteriores – explica o CEO da E-Flix.

Ainda sobre o tema conflito de interesses, denunciado pela R10, Marcelo Fadul rebate informando que os jogadores que estão atualmente na eSeleção do FIFA 21 foram convocados pelo bom desempenho que tiveram na temporada do FIFA 20.

– A relação dos oito atletas que representaram a eSeleção no FIFA20 foi baseada nos melhores jogadores do ranking da FIFA (fifa.gg) e o próximo critério (para o FIFA 21) podemos adiantar que será adotada disputas entre os jogadores do Brasil, para trazer ainda mais o mérito competitivo – revela.

Confira os oito convocados para a CBF eSeleção — Foto: Divulgação

Confira os oito convocados para a CBF eSeleção — Foto: Divulgação

A parceria entre CBF e a E-Flix já rendeu um título para o Brasil nos esports. Durante o auge da pandemia da Covid-19 no país, Henrique “Zezinho” foi campeão da eNations Cup ao lado de Éverton Ribeiro, do Flamengo. Na final, os brasileiros bateram os argentinos Sergio Agüero e Yago Fawaz.

Hoje, a eSeleção conta com oito jogadores convocados: Zezinho, Vinicius “Vini Leiva”, Lucas “Rep”, Miguel “SpiderKong”, Paulo Neto, Gabriel “gabrielpn”, Pedro Resende e Flávio Fifilza. Destes, apenas os dois primeiros pertencem à E-Flix. O comando técnico é de Vinicius “Fifalize”, o treinador oficial do elenco.

Leia o e-mail de Renato Sá Neto, da R10 Team, na íntegra:

 

“Boa tarde!

Em primeiro lugar, obrigado pela atenção.

Em nome da ELIGASUL e da R10 Team, duas organizações do eFootball brasileiro, vimos respeitosamente entrar em contato com a CBF para entender os critérios utilizados pela empresa eFlix que atualmente faz a gestão da eSeleção Brasileira de FIFA, e simultaneamente cuida das equipes Netshoes, Cruzeiro e faz a gestão da carreira de vários atletas brasileiros.

Na nossa opinião, existe um evidente conflito de interesses, que é percebido claramente pelas pessoas sérias do cenário de FIFA. E isso certamente afetará a CBF.

Como se trata da Seleção Brasileira, a empresa deveria promover os players brasileiros que realmente estão se destacando nos campeonatos internacionais, não somente os players agenciados pela mesma empresa que cuida da eSeleção, no caso a eFlix.

É nítido o comprometimento da empresa quando se trata de divulgar os players da eFlix, como SpiderKong, por exemplo, que somente no instagram e Twitter oficiais da eSeleção tem 10 postagens com sua foto, e players como PHzin, Gabriel PN e Rampazzo, que atualmente estão no TOP4 do XBOX e são simplesmente esquecidos.

É frequente a pergunta dos PRO players para mim, questionando se existe um boicote da eFlix aos jogadores da R10, porque pelas conquistas atuais, os players (e não a equipe) deveriam ter o mesmo reconhecimento dos players agenciados pela eFlix.

Infelizmente, NENHUM dos jogadores representados pela eFlix chegou no Top4 do PS4 nem do XBOX, sendo que a R10 teve 7 classificações, dois títulos, dois vices, 1 terceiro, e 2 em 4º lugar.

NENHUM DOS 2 TITULOS conquistados pelo atleta PHZIN teve sequer houve uma postagem com arte, como a feita pelo merecido titulo de Pedro Resende.

Ademais, a eFlix é a responsável pela organização da equipe brasileira de FIFA que irá representar o Brasil na eNations e esse ano vai mudar os critérios para definir os players. Nas ultimas duas edições foram priorizados os Players top4 de cada console.

No entanto, esse ano, como não temos nenhum jogador representado pela eFlix no Top4 da América do Sul tanto no PS4 como no XBOX, o critério será mudado. Ficamos sabendo dessa informação através de uma entrevista dada pelo Sr. Marcelo Faduls que é o diretor da eFlix, coordena e encabeça o projeto da eSeleção e é representante de todos os jogadores da eFlix. Pelo que foi informado nossa eSeleção será formada por players que ganharem uma competição promovida pela eFlix.

Ou seja, agora que a eFlix não tem atletas entre o Top4 para lutar pela vaga merecida na seleção, a empresa muda o critério!!! Será que seria para dar mais uma chance aos players agenciados pela eFlix que seguem com performance abaixo do topo sul-americano?

Qual o critério para ser jogador da Seleção? Ser um craque consistente que conquista o topo da América do Sul, ou vencer somente um torneio isolado?

Tentamos o contato direto com o Sr. Faduls, que novamente não quis diálogo e informa que na opinião dele está tudo sendo feito de forma correta e planejada.

Estou a disposição para esclarecimentos e para conversar sobre o assunto.”

Confira agora o pronunciamento de Marcelo Fadul, CEO da E-Flix:

 

“Desde o início da relação entre E-Flix e CBF, estabelecida em março de 2020, a gestão tem sido autônoma e independente, com equipe própria para a eSeleção. Nenhum atleta das equipes gerenciadas pela E-Flix foi ou será beneficiado. A relação dos oito atletas que representaram a eSeleção no FIFA20 foi baseada nos melhores jogadores do ranking da FIFA (fifa.gg) e o próximo critério (para o FIFA21) podemos adiantar que será adotada disputas entre os jogadores do Brasil, para trazer ainda mais o mérito competitivo. O treinador da eSeleção é o Fifalize que seguirá tento total autonomia na condução da equipe e de seus jogadores.

No primeiro ano da parceria E-Flix e CBF já conseguimos observar um sucesso relevante com a conquista do eNations Cup #StayAndPlay na emocionante final transmitida pelo SPORTV, com o atleta Éverton Ribeiro do Flamengo e o proplayer Zezinho vencendo Kun Aguero e Yago. mais adiante a Internation eCup One, com o atleta Vini Jr. do Real Madrid e o proplayer Resende, que nunca tiveram nenhum vínculo com a E-Flix. Acreditamos que a confiança nos passada pela CBF é exatamente pelo nosso histórico ético e de sucesso profissional dentro do eSports de FIFA com 5 anos de atuação. Por fim estamos bastante contentes em trazer algo que não existia para o calendário Brasileiro que é a inclusão da nossa eSeleção em diversas eventos com o jogo FIFA e os fãs do jogo e a comunidade podem esperar muito mais ainda para este ano.”

Por Thiago Correia e PH Nascimento/GE