A economia brasileira avançou no início de 2026, mas o ambiente fiscal mais deteriorado já começa a acender um sinal de alerta para o custo do crédito e o ritmo de investimento no campo. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), subiu 0,6% em fevereiro frente a janeiro, atingindo o maior nível da série histórica, segundo o Banco Central do Brasil.
Na comparação anual, a alta foi de cerca de 2,5%, enquanto o acumulado em 12 meses permanece próximo de 2,3%, indicando expansão moderada da economia mesmo em um ambiente de juros elevados. O resultado foi puxado principalmente por serviços e indústria, enquanto a agropecuária apresentou recuo na margem, refletindo a sazonalidade entre safras.
Esse quadro de crescimento, no entanto, convive com uma deterioração das contas públicas. O Fundo Monetário Internacional projeta que a dívida bruta do Brasil pode alcançar cerca de 100% do PIB já no primeiro ano do próximo governo, conforme o mais recente Monitor Fiscal. O nível é considerado elevado para padrões de países emergentes e aumenta a pressão sobre a credibilidade fiscal.
Na prática, esse cenário tende a manter o custo do dinheiro elevado por mais tempo. Para o agronegócio, altamente dependente de financiamento, o impacto é direto: crédito mais caro, maior seletividade dos bancos e redução da capacidade de investimento.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende (foto), o cenário exige atenção redobrada do produtor. “O crescimento da economia é positivo, mas ele perde força quando vem acompanhado de deterioração fiscal. No agro, isso aparece rapidamente no custo do crédito”.
Segundo ele, o produtor já opera sob pressão financeira. “Hoje, o campo enfrenta aumento de custos e avanço do endividamento. Se o risco do país sobe, o crédito fica mais caro e mais difícil. Isso afeta diretamente o planejamento da próxima safra”, diz.
Para Isan, o problema é estrutural. “O mercado olha a capacidade de pagamento do país. Quando há dúvida sobre isso, o efeito é imediato: menos investimento, juros mais altos e maior seletividade. O agro sente isso antes dos outros setores porque depende de capital para produzir”, afirma.
Apesar do alerta, a expectativa para 2026 ainda é de contribuição relevante do campo para o crescimento, sustentada pela projeção de safra recorde. No curto prazo, porém, o protagonismo da economia tem ficado com serviços e indústria, enquanto o agro entra em fase de transição entre ciclos produtivos.
Para o produtor, o recado é claro: o cenário econômico segue positivo, mas o risco fiscal passou a ser variável central. E, mais do que o tamanho da safra, será o custo e a disponibilidade de crédito que devem definir o ritmo do agronegócio nos próximos meses.
Fonte/Pensar Agro







