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Nota de Pesar

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O Ministério Público do Estado de Rondônia (MPRO) manifesta profundo pesar pelo falecimento do Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Valdivino Crispim de Souza, ocorrido nesta segunda-feira (29/12), em Porto Velho.

O MPRO, por meio de seus membros e servidores, solidariza-se com os familiares e amigos, expressando condolências neste momento de dor e despedida.

A Instituição reconhece a trajetória pública do Conselheiro e registra respeito à sua atuação na vida institucional do Estado.

Alexandre Jésus de Queiroz Santiago
Procurador-Geral de Justiça

Gerência de Comunicação Integrada (GCI)

Fato histórico: Rosangela Donadon destina quase R$ 1 milhão para a educação de Chupinguaia

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Maior investimento já garantido para a educação infantil do município fortalece escolas e beneficia centenas de crianças

A deputada estadual Rosangela Donadon (União Brasil) marca um fato histórico para Chupinguaia ao garantir quase R$ 1 milhão em recursos para a educação do município. Ao todo, são R$ 940 mil destinados à implantação de playgrounds nas escolas municipais. O recurso já está empenhado e garantido, assegurando a execução do investimento.

Os recursos foram destinados a pedido da vereadora Angélica Peralta e do vice-prefeito Eliezer Paraíso, grandes parceiros da deputada no município, que apresentaram a demanda e atuaram de forma conjunta para fortalecer a educação infantil local.

A iniciativa representa um marco para a educação infantil, ao proporcionar espaços adequados para o desenvolvimento motor, social e pedagógico das crianças. Para Rosangela Donadon, investir na infância é uma estratégia concreta de transformação social e de fortalecimento do futuro do município.

Os novos playgrounds vão ampliar a estrutura das escolas municipais, tornando o ambiente escolar mais acolhedor, seguro e estimulante para o aprendizado, especialmente nos primeiros anos da formação educacional.

A deputada reforça que sua atuação é pautada pelo compromisso com resultados reais, ouvindo as demandas dos municípios e articulando recursos que chegam de forma efetiva à ponta.

Rosangela Donadon também destaca a parceria com o governador Coronel Marcos Rocha, que tem acolhido as demandas apresentadas e colaborado para que os investimentos em educação avancem com agilidade.

Com esse investimento histórico, Chupinguaia consolida avanços significativos na educação infantil e reafirma o compromisso com uma formação mais digna, humanizada e estruturada para suas crianças.

 

 

Por assessoria

Deputada Rosangela Donadon convida população para Feira Empreendedora Festival em Rolim de Moura

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A deputada estadual Rosangela Donadon convidou a população de Rolim de Moura e região para participar da Feira Empreendedora Festival, que acontece nesta sexta-feira (26), das 16h às 22h, no município. O evento reúne feira de expositores e Festival de Música, com programação gratuita voltada a toda a família.

A iniciativa tem como foco o fortalecimento da economia local, ao criar um espaço para pequenos empreendedores, artesãos, produtores e comerciantes apresentarem seus produtos e realizarem vendas diretas ao público. Segundo a organização, a feira também estimula a circulação de renda no município e amplia a visibilidade de negócios locais.

Além da feira, o público poderá acompanhar as apresentações do Festival de Música, que valoriza talentos regionais. Os artistas classificados disputam premiação em dinheiro: R$ 10 mil para o primeiro lugar, R$ 6 mil para o segundo e R$ 4 mil para o terceiro. A grande final do festival está prevista para ocorrer no município de Presidente Médici.

De acordo com a deputada, a Feira Empreendedora Festival vem se consolidando como uma ação permanente de incentivo ao empreendedorismo e à cultura, com resultados positivos por onde passa. Em edições anteriores, o evento registrou bom desempenho de vendas e participação expressiva do público, segundo balanços dos organizadores.

“É uma iniciativa pensada para apoiar quem empreende, valorizar os talentos da nossa região e fortalecer a economia dos municípios. Convido toda a população de Rolim de Moura e região para participar e prestigiar esse grande evento”, afirmou Rosangela Donadon.

A parlamentar destacou ainda que a programação foi estruturada para atender públicos de diferentes idades, combinando geração de renda, lazer e cultura. Segundo ela, ações desse tipo integram um conjunto de iniciativas voltadas ao desenvolvimento regional e ao estímulo à economia criativa no interior do Estado.

Mensagem de Natal da deputada Rosângela Donadon ao povo de Rondônia

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O Natal nos convida a uma pausa para refletir, agradecer e renovar a fé. É um tempo de reencontro com os valores que realmente importam: o amor ao próximo, a solidariedade, a esperança e a união das famílias. Que o nascimento de Jesus Cristo ilumine os lares rondonienses, trazendo paz aos corações e força para enfrentar os desafios da vida com dignidade e perseverança.

Ao longo do ano, cada conquista, cada luta e cada avanço foram frutos do esforço coletivo de um povo trabalhador, resiliente e cheio de fé. Que essa data sagrada nos inspire a continuar acreditando em dias melhores e a seguir construindo, juntos, uma sociedade mais justa, humana e solidária, onde ninguém fique para trás.

Que o espírito natalino renove em todos nós o compromisso com o respeito, a empatia e o cuidado com quem mais precisa. Que a esperança se transforme em ação, e que o amor de Cristo seja o guia das nossas decisões, tanto na vida pessoal quanto na vida pública.

Desejo que o Natal seja celebrado com harmonia, saúde e gratidão, e que o Ano Novo venha carregado de oportunidades, conquistas e bênçãos para cada família de Rondônia. Sigamos unidos, com fé no coração e trabalho sério, para construir um futuro de mais justiça, desenvolvimento e paz para o nosso Estado.

Feliz Natal e que Deus abençoe cada lar rondoniense.

Entre marés e estiagens: retireiros, pantaneiros e ilhéus convivem em harmonia com o delicado equilíbrio entre terra e água

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Última reportagem da série sobre comunidades tradicionais mostra o cotidiano desses povos em seus territórios e as ameaças que os cercam

Ilustração mostra homens montados em cavalos guiando uma boiada

Arte: Comunicação/MPF

As águas sobem e descem, e no horizonte os olhares atentos acompanham a dança das marés e das chuvas. São as águas que ditam o ritmo da vida ali. São elas que dizem: “para tudo há o seu tempo”. Há o tempo de levar e trazer o gado, de plantar a roça e colher o sustento. Há o tempo de navegar e o tempo de esperar em terra firme.

No Centro-Oeste do Brasil, o Araguaia e o Pantanal são territórios moldados pela pulsação das cheias e vazantes. Neles vivem povos tradicionais cuja existência se equilibra e sobrevive nessa cadência. É assim que retireiros e pantaneiros mantêm há séculos seus modos de vida construídos em diálogo com a natureza. No entanto, além dos desafios do ambiente onde vivem, hoje enfrentam um dos momentos mais críticos de sua história, pressionados por um modelo de desenvolvimento que ameaça rios, nascentes, animais, florestas e culturas.

Já no sul do país, os ilhéus do Rio Paraná acompanham os ciclos do rio em um modo de vida coletivo e tradicional, e enfrentam desafios parecidos. O turismo predatório, conflitos por demarcação de terras e construções irregulares, degradação ambiental (assoreamento, seca, contaminação) e a luta por reconhecimento e direitos estão entre as formas de violação sofridas pelas comunidades.

A última reportagem da série especial do Ministério Público Federal (MPF) dá voz a esses povos, que há séculos protegem o que agora está em risco.

O tempo das águas e o tempo do gado: a vida retireira no Araguaia

mulher apresentando trabalho No território tradicional Mato Verdinho, às margens do Rio Araguaia, em Luciara (MT), a retireira Lidiane Taverny Sales descreve seu mundo como um organismo que respira junto com o rio. “Ser retireira é ter meu modo de vida diretamente influenciado pelo movimento das águas. É se organizar de acordo com as cheias e vazantes do Araguaia”, afirma a filha de retireiros e pesquisadora dedicada à defesa de seu território.

Os retireiros são assim chamados por viverem, na época da seca, nos tradicionais “retiros” — casas de madeira na base do Rio Araguaia, onde o território é moldado pelos varjões. Esses varjões são extensas áreas de pastagem natural que se adaptam ao pulso das águas: na cheia, são inundados pelo transbordamento do rio; na vazante, revelam o capim nativo que alimenta o gado criado solto, principal atividade da comunidade.

O sistema de vida retireiro é ancestral e sazonal. Criados “na larga” e soltos nos varjões que brotam quando a água baixa, o rebanho alimenta famílias e preserva campos naturais que funcionam como esponjas ecológicas. Não é preciso derrubar árvores ou queimar um toco sequer: os retireiros aprenderam a manejar o gado a partir do que o próprio ambiente oferece. No “inverno chuvoso”, retiram o gado das áreas alagadas; no “verão seco”, entre maio e novembro, o capim renasce e o gado volta a pastar livremente. “As cheias são aviso. As vazantes são recompensa. É uma dança que ensina paciência e respeito ao poder da natureza”, resume Lidiane.

Mas essa dança tem sido interrompida pela escalada de pressões externas: grilagem, assoreamento, sobrepesca, avanço da soja nas partes altas — justamente as áreas de retiro essenciais para realocar o gado na época da cheia.

A Comunidade de Retireiros de Luciara é formada por quase 100 famílias que há mais de um século criam gado solto nos varjões do Cerrado. Desde a década de 1960, quando incentivos fiscais impulsionaram o avanço do agronegócio sobre a região, esse território passou a ser disputado palmo a palmo. Vieram as cercas, os grileiros, os grupos armados que expulsaram famílias nos anos 1970 e, mais tarde, os peões enviados em nome de supostos proprietários.

Diante das ameaças, eles se organizaram: criaram a Associação dos Retireiros do Araguaia (ARA), defenderam seu território e propuseram, em 2006, a criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mato Verdinho — reconhecida pelo relatório fundiário do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em 2009, que destinou 110 mil hectares para a unidade. A perspectiva de regularização intensificou o conflito: estradas bloqueadas, casas incendiadas, ameaças de morte e a tentativa de impedir a consulta pública de 2013 marcaram um dos momentos mais tensos da história local.

É nesse cenário que o Ministério Público Federal se tornou uma peça-chave para a proteção da comunidade. O procurador da República Guilherme Tavares explica que o MPF atua justamente onde o Estado falhou. “Nosso papel é evitar que a omissão estatal e as pressões econômicas provoquem a perda de territórios tradicionais”.

No caso dos retireiros, essa atuação inclui a proposta de uma ação civil pública contra a União e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e, mais recentemente, o pedido de realização de uma audiência de conciliação estrutural. O pedido foi para que o Judiciário reúna a Secretaria de Patrimônio da União (SPU), o Incra e a própria comunidade para definir a demarcação territorial e impedir que as pressões sobre a área continuem atacando direitos essenciais.

O procurador explica que a principal ameaça ao modo de vida retireiro é justamente a falta de definição territorial

“Enquanto o território não é regularizado, ele permanece vulnerável ao desmatamento, à grilagem e à exploração dos recursos naturais sem licenciamento. A indefinição estimula negociações privadas que colocam em risco o uso tradicional e a própria natureza da área”, afirmou Guilherme Tavares

Além disso, o MPF acompanha processos judiciais estaduais que tentam retirar a comunidade da área onde vive há gerações. Para isso, o MPF solicitou autorização para atuar também nessa esfera.

Para Tavares, compreender o saber tradicional é também parte do trabalho institucional. “O MPF aprende com esses povos. Aprende com sua resiliência, sua organização, sua estratégia política interna e externa para fazer valer direitos frequentemente desrespeitados. O conhecimento tradicional influencia diretamente nossas estratégias jurídicas”, explica.

Além da cerca e da violência fundiária, a comunidade sofre com o assoreamento do Araguaia, a sobrepesca e a pressão pela implantação da Hidrovia Araguaia–Tocantins, que prevê dragagem e derrocamento (remoção de rochas) dos rios para ampliar o escoamento hidroviário. E nessa esteira vai junto todo um ecossistema complexo e equilibrado.

Para o procurador, empreendimentos desse porte exigem rigor absoluto. Segundo ele, “cabe ao MPF zelar pelo cumprimento da legislação ambiental e fiscalizar estudos de impacto que mostrem como obras desse tipo afetam as comunidades tradicionais, estabelecendo medidas compensatórias e mitigadoras”.

Apesar dos desafios, a palavra que define a vida retireira continua sendo a resistência. As mulheres assumem papel crucial na transmissão de saberes, no artesanato, no bordado e na articulação política. É delas que vem uma parte significativa da força que mantém a comunidade de pé.

Nesse contexto, os olhos de Lidiane miram tanto para o presente quanto para o futuro. “Desejo que as próximas gerações possam continuar a ser retireiras, que não precisem ter medo da cheia por falta de lugar seguro, e que não precisem lutar contra a cerca para criar seu gado. Desejo a elas a paz e a liberdade do território comunal”

A fala é endossada pelo procurador Guilherme Tavares. Ele ressalta que garantir esse futuro depende de uma ação central. “A definição territorial é essencial para assegurar os modos de vida desses povos. Sem isso, todo o restante — saúde, educação, transporte, proteção ambiental — fica comprometido”, frisa.

Pantaneiros: povo canoeiro na linha de frente do desequilíbrio climático

No Pantanal, onde rios alagam e recolhem a maior planície úmida contínua do planeta, a pantaneira Leonidares Souza resume sua identidade à sensação de casa ao abrir a porta pela manhã.

“Ser pantaneira é poder levantar cedo, ouvir os pássaros, olhar o rio, sentir o vento diferente. É poder pescar, andar descalço, viver sem medo”, diz a moradora da comunidade Barão de São Lourenço, no coração pantaneiro.

leonidares e famíliaEla se reconhece como parte de uma longa linhagem, é a quarta ou quinta geração do povo indígena tradicional canoeiro. Mas a paisagem que moldou sua infância já não é a mesma.

“Nosso modo de vida mudou por completo. Os lugares por onde andávamos de canoa hoje estão secos ou entupidos. Locais de pesca e coleta não existem mais”, relata. “É uma mudança totalmente ruim para nós” , contou Leonidares Souza

No Pantanal, e em cidades como Corumbá e Ladário, em Mato Grosso do Sul, as especificidades geográficas multiplicam vulnerabilidades. Como observa a procuradora Aline Morais, ali “os rios são as estradas deles” e muitos trechos só são acessíveis por barco. Ela explica que a topografia e a dinâmica das águas definem modos de vida, padrões de mobilidade e formas de ocupação que diferem radicalmente das regiões rodoviárias do estado. Para a procuradora, essa condição torna as comunidades ribeirinhas, indígenas e quilombolas particularmente expostas às intervenções que alteram o leito e as margens dos rios.

Além disso, as pressões econômicas — mineradoras em expansão, hidrovia e turismo predatório — transformam o cotidiano: córregos secados por extração, estradas de minério que entopem locais de pesca, pó de minério que contamina roupas, móveis e a saúde respiratória, e cercas erguidas até a beira d’água. Aline Morais relata casos em que trechos públicos foram invadidos e “fechados”, impedindo a coleta de isca e o uso tradicional dos lugares. De acordo com ela, as consequências vão da perda de subsistência à degradação ambiental e pode ser considerada uma forma clara de racismo ambiental, quando nada é feito para reduzir os danos às comunidades.

A própria lógica de grandes projetos cobra alto preço: “tanto a hidrovia quanto as mineradoras afetam diretamente as comunidades”, diz Aline Morais. Ela aponta impactos concretos em Porto Esperança e Antônio Maria Coelho, como poeira, poluição de córregos, fechamento de corixos (cursos d’água), estradas inacessíveis e sobrecarga de caminhões. Ela critica respostas institucionais muitas vezes paliativas.

No curto prazo, a procuradora enumera prioridades práticas: garantir acesso à água potável e à limpeza de sistemas de distribuição, reforçar atendimento de saúde por meio de Unidades Básicas de Saúde (UBSs) fluviais e ambulâncias, viabilizar educação de jovens e adultos nas localidades mais remotas e ampliar a presença do Estado com serviços regulares (votação, assistência, transporte). Para 2026, ela aponta metas claras: educação, instalação de seções eleitorais mais acessíveis e uma atuação integrada para que equipamentos públicos cheguem com frequência às comunidades.

secaO cenário se traduz no temor dos pantaneiros: o ciclo de cheia e vazante, um fundamento ecológico do Pantanal, tornou-se imprevisível. Perguntada sobre qual é a maior ameaça aos pantaneiros, Leonidares responde sem hesitar: “A diminuição da água. Quando a água diminui, desequilibra tudo: não tem peixe, não tem bicho, não tem água pros animais, nem pras plantações” .

“Se o Pantanal tivesse voz, ele daria um grito de socorro” resume Roberto Arruda, pantaneiro nascido e criado na Serra do Amolar. A sua percepção ecoa na fala de Leonidares: “se o Pantanal tivesse voz… e voz ele tem, porque somos nós, ele já está gritando faz muitos anos. Está doendo no respirar, na falta de alimentação, no fogo que arde. A gente vê árvores morrendo, ninhos sendo destruídos, animais sem água. É angustiante”, conta a pantaneira.

Ilhéus do Paraná: povos das águas entre a memória e o reconhecimento

Ilhéus No Rio Paraná, onde as águas se abrem em ilhas, várzeas e canais que mudam de forma conforme as cheias e as vazantes, vivem os ilhéus. São povos que também construíram sua identidade em íntima relação com o ritmo dos rios. Por décadas, famílias habitaram as ilhas, plantaram seu sustento, pescaram e moldaram uma forma de vida ancorada no vai e vém das águas. Antes da criação de unidades de conservação como o Parque Nacional e a Área de Proteção Ambiental (APA) da Ilha Grande, mais de dez mil famílias viviam nessas ilhas e erguiam ali suas casas, campos de cultivo e pontos de pesca. Hoje, muitos foram dispersos, mas permanecem ilhéus no modo de viver e na memória comunitária.

Reconhecidos como comunidade tradicional pela Lei estadual nº 17.425/2012, os ilhéus ainda enfrentam o desconhecimento — ou a ausência de reconhecimento — pela grande parte dos municípios paranaenses, o que dificulta seu acesso a políticas públicas essenciais e a participação nos espaços deliberativos locais.

Uma ferramenta decisiva nessa luta é o Protocolo de Consulta dos Ilhéus e Ribeirinhos do Rio Paraná, documento elaborado coletivamente por essas comunidades para fazer valer o direito constitucional à consulta prévia, livre e informada antes de qualquer medida, projeto ou política que possa afetar seus territórios e modos de vida. Esse direito está previsto na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

O protocolo estabelece como, quando e quem deve ser consultado em processos que impactem as ilhas, assegurando que a voz dos ilhéus seja considerada conforme a lei e respeitando suas tradições, formas de organização social e decisões coletivas.

Esse instrumento, construído a partir de encontros e debates promovidos pelos próprios povos do rio, não só reforça o direito de serem ouvidos, como também garante que medidas legislativas ou administrativas que interfiram na vida das comunidades precedam um processo de consulta culturalmente adequado. É necessário definir as etapas, plano de consultas, reuniões informativas e instâncias de decisão que respeitem os tempos e os modos de organização comunitária. 

Para o Ministério Público Federal, esse protocolo é estratégico. Além de apoiar formalmente o reconhecimento dos ilhéus como comunidade tradicional, o MPF tem incentivado a adoção do protocolo nos municípios. Já existem experiências de avanços: em Querência do Norte e São Pedro do Paraná, leis municipais foram aprovadas reconhecendo os ilhéus como comunidade tradicional, o que abre caminho para que outros municípios adotem medidas semelhantes.

A luta pelo reconhecimento, no entanto, não se restringe à burocracia. Ela se entrelaça à defesa do território e do modo de vida. “Os ilhéus foram expulsos de suas terras, impedidos de plantar o próprio sustento”, relatou uma liderança de Guaíra ao MPF, lembrando que a política de assistência social precisa ser diferenciada para comunidades que historicamente foram deslocadas e marginalizadas.

Essa reivindicação adquire ainda mais sentido diante de empreendimentos que ameaçam as margens do rio. No município de São Pedro do Paraná, por exemplo, o MPF ajuizou ação para anular a licença prévia para a construção de um resort de luxo em área de preservação permanente dentro da APA das Ilhas e Várzeas do Rio Paraná, apontando irregularidades que ignoraram a consulta às comunidades tradicionais afetadas, uma violação direta ao espírito do Protocolo de Consulta e ao direito à participação.

Grandes projetos, grandes riscos

As falas de retireiros e pantaneiros encontram eco nas análises técnicas reunidas pelo MPF. O Rio Paraguai e seus afluentes passam por uma pressão sem precedentes.

A Hidrovia Paraguai–Paraná, planejada para permitir navegação permanente com dragagem e derrocamento de rochas em mais de 50 pontos críticos, é uma das maiores preocupações. Como alertou o MPF, “o aumento da velocidade de escoamento da água pode drenar o Pantanal”, comprometendo o ciclo de cheias que sustenta o bioma.

PCHA instalação de hidrelétricas é outro vetor grave: já são 58 empreendimentos na Bacia do Alto Paraguai, com mais de 100 previstos para os próximos anos. Essas barragens fragmentam rios, retêm sedimentos e alteram pulsos naturais, interferindo diretamente nos ciclos ecológicos que mantêm a vida tradicional de povos como os de Leonidares e de Lidiane.

De acordo com o MapBiomas, entre 60% e 80% das nascentes do Pantanal já foram afetadas pelo desmatamento. E a expansão agrícola forma um “arco de degradação” que ameaça inclusive áreas ainda consideradas conservadas.

“Quando diminui a água, vai ficando tudo ruim. É um desenvolvimento para a morte”, resume Leonidares, referindo-se às intervenções que aceleram o escoamento dos rios e potencializam secas e desbarrancamentos.

Apesar das adversidades, retireiros, pantaneiros e ilhéus preservam tradições que mantêm vivos seus territórios. Em diferentes paisagens — nos varjões do Araguaia, na planície alagável do Pantanal ou nas ilhas e várzeas do Rio Paraná — esses povos compartilham um mesmo princípio: viver a partir do ritmo da natureza, sem exauri-la.

Leonidares sublinha a importância dos saberes que passam de geração em geração:
“plantar, colher, tirar da terra só o necessário. Remédios naturais, respeito ao ciclo. Isso não pode morrer de jeito nenhum”, afirma.

Lidiane acrescenta a isso a força das mulheres retireiras, guardiãs da memória e da continuidade do modo de

artesanato

 vida. “Nós, mulheres retireiras, somos guardiãs dos saberes. O bordado, o artesanato, a resistência. Somos ativistas na defesa do território”.

Entre os ilhéus do Paraná, essa resistência também se expressa na manutenção dos vínculos com o rio, mesmo após processos de expulsão e dispersão forçada. Ainda que afastados fisicamente das ilhas, muitos seguem se reconhecendo como ilhéus e reivindicam o direito de existir como povo tradicional, com voz própria e participação nas decisões que afetam suas águas e territórios.

Em comum, essas comunidades lembram que resistir tem preço. Leonidares, como liderança pantaneira, desabafa. “Nossa voz fica no eco. As pessoas falam da gente sem a gente. Falam, mas não fazem. E a comunidade permanece sofrendo”.

Entre os ilhéus, o sentimento é semelhante. Projetos, unidades de conservação e grandes empreendimentos avançam sobre as margens do rio sem que a consulta prévia seja respeitada, ignorando protocolos construídos coletivamente para garantir que nenhuma decisão seja tomada sem a escuta dos povos das águas.

No Paraná, o grito se manifesta no silêncio das ilhas esvaziadas, nas roças abandonadas à força, nas áreas de pesca interditadas e na luta por reconhecimento como comunidade tradicional, condição essencial para que a voz dos ilhéus volte a ser ouvida.

Aliado e garantidor de direitos: o papel do MPF

O Ministério Público Federal atua em diferentes frentes — judiciais, administrativas e de articulação institucional — para conter projetos que ameaçam o regime das águas e os modos de vida tradicionais. Da contestação à hidrovia à defesa de uma lei federal específica para o bioma, o órgão busca garantir que a preservação das águas ande junto com a proteção das comunidades que dependem delas.

Nesse sentido, o MPF tem buscado compatibilizar proteção ambiental e direitos das populações tradicionais por meio de múltiplas frentes: mediação com empresas e prefeituras, procedimentos administrativos, recomendações, termos de ajustamento e, quando necessário, ações judiciais. A procuradora da República Aline Morais destaca que a estratégia preferencial é o diálogo e a construção de soluções conjuntas, mas que, diante da inércia, a judicialização se faz imprescindível para garantir acesso a serviços básicos, como água, saúde, energia, e para evitar que as comunidades arquem com o custo da “modernização” ao redor delas.

Esse trabalho prático inclui medidas concretas: negociação para garantir o título ou o reconhecimento de uso comunitário, registros na matrícula do imóvel para proteger direitos, acordos que financiam infraestrutura mínima (escolas, postos de saúde, áreas de lazer) e ações para reduzir a poeira e a circulação de caminhões nas vias locais. A procuradora relata, por exemplo, iniciativas para que mineradoras financiem melhorias, e a exigência de procedimentos para molhar estradas e reduzir a poeira. No entanto, as medidas muitas vezes exigem reforço institucional porque não se sustentam sem fiscalização contínua.“A gente resolve um problema e nasce outro”, compartilha.

Aline também chama atenção para tensões menos óbvias: conflitos entre preservacionistas e comunidades tradicionais quando unidades de conservação ou reservas particulares de proteção ambiental são impostas sem efetiva escuta, restringindo usos tradicionais. Em áreas como a Barra de São Lourenço houve acordos intermediados pelo MPF exatamente para permitir o uso tradicional, mas persistem “zonas de instabilidade” provocadas por sobreposição de interesses — turismo, ONGs, projetos de conservação mal articulados — que podem empurrar as comunidades para fora de suas rotinas.

Para minimizar esses atritos, ela tem priorizado um eixo hábil: protagonismo comunitário. O MPF auxilia na elaboração de protocolos de consulta, na capacitação para que as comunidades conheçam e façam valer a Convenção 169 da OIT, e no incentivo ao uso de plataformas e laudos técnicos para que as vozes locais cheguem com peso às mesas de decisão. “Eles já estão mais politizados”, diz a procuradora,, referindo-se a lideranças que hoje cobram aplicação de protocolos de consulta e reivindicam participação vinculante nas decisões que impactam seus territórios.

As ações do MPF no Pantanal e no Araguaia dialogam com a atuação em Luciara: como explicou o procurador Guilherme Tavares, a indefinição territorial é a principal vulnerabilidade dos retireiros. Enquanto não houver demarcação e regularização, o terreno fica aberto ao desmatamento, à grilagem e às disputas possessórias. Por isso, o MPF atua simultaneamente na via extrajudicial, na articulação com órgãos como Secretaria do Patrimônio da União (SPU) e Incra, e na judicialização quando necessário, pedindo, por exemplo, audiências estruturais para definir a demarcação e garantir a permanência das comunidades.

Aline Morais sintetiza a linha ética que orienta a atuação do MPF. “A gente se posiciona frontalmente contra qualquer tipo de ampliação ou intervenção que imponha ônus às comunidades sem compensação ou consulta vinculante”, comenta.

Futuro: o que querem os povos das águas
Perguntadas sobre o amanhã, as lideranças respondem com esperança, aquela mesma que sustenta a luta cotidiana.

Tuiuiús em revoada no Pantanal/Foto: Saul Schramm / Agência de Notícias do Mato Grosso do Sul
Tuiuiús em revoada no Pantanal/Foto: Saul Schramm / Agência de Notícias do Mato Grosso do Sul
“Desejo que as futuras gerações possam continuar a ser retireiras, sem medo da cheia e sem lutar contra cercas. Que tenham a liberdade do território comunal”, diz Lidiane.

Já Leonidares deixa um recado a quem escuta:

“Cuidamos com carinho do nosso lugar. Só tiramos o que precisamos. Se o poder público nos apoiasse, o Pantanal continuaria vivendo do jeito que é. A gente sabe cuidar”.

Entre os ilhéus do Paraná, o desejo é semelhante: permanecer como povo das águas, com direito ao território, à consulta prévia e a políticas públicas que respeitem seu modo de viver.

Para eles — assim como para pantaneiros e retireiros — o futuro só é possível se o rio continuar sendo estrada, alimento, memória e casa.

No Araguaia, no Pantanal ou nas ilhas e várzeas do Rio Paraná, retireiros, pantaneiros e ilhéus repetem uma verdade simples: não existe bioma protegido sem as comunidades que o sustentam. São povos das águas, moldados pela cheia e pela vazante, sentinelas de territórios que aprendem a existir com o rio, e não apesar dele.
E enquanto houver quem escute o tempo das águas, a dança das chuvas e a sabedoria ancestral de quem nasceu entre rios, campos e ilhas, ainda haverá futuro possível.
Futuro: o que querem os povos das águas
Link para o site territoriostradicionaisCartilha Calendário MPF 2025

Secretaria de Comunicação Social
Procuradoria-Geral da República

Anvisa proíbe alimento com ingrediente não autorizado

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A alulose não é autorizada para os alimentos no Brasil

A Anvisa publicou, nesta segunda-feira (22/12), uma resolução proibindo todos os lotes do produto Alulose da empresa Sainte Marie Importação e Exportação. A medida proíbe tanto o comércio quanto a distribuição, a importação, a propaganda e o uso do produto.

A alulose não consta na lista de substâncias autorizadas pela Anvisa para ser utilizada como adoçante ou ingrediente alimentar no Brasil.

O que é um ingrediente ou alimento novo?

Todos os alimentos ou ingredientes sem histórico de consumo no Brasil são classificados como novos e, portanto, devem ser submetidos à avaliação da Anvisa. Dessa forma, a empresa interessada deve apresentar documentos técnico-científicos para análise da Agência.

Nesta análise, a Anvisa verifica se o processo de fabricação desse novo alimento ou ingrediente não introduz ou concentra substâncias que possam ter efeitos danosos à saúde ou se a indicação de consumo não extrapola os níveis considerados seguros.

Clique aqui para saber mais sobre novos ingredientes e alimentos.

Saúde e Vigilância Sanitária

Reajuste do Judiciário é sancionado com veto às parcelas de 2027 e 2028

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O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou com vetos o reajuste salarial dos servidores do Judiciário federal. As correções sucessivas de 8% previstas para ocorrer anualmente em 2026, 2027 e 2028 foram limitadas a uma parcela apenas, paga no próximo ano. É o que determina a Lei 15.293, publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta segunda-feira (22).

De acordo com o Executivo federal, o aumento da despesa com pessoal com parcelas a serem implementadas em períodos posteriores ao final do mandato do Presidente da República — no caso, em 2026 — contraria a vedação prevista no artigo 21 da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Dessa forma, a lei sancionada garante apenas um reajuste de 8% em 2026, diferentemente do que foi aprovado pelo Congresso no Projeto de Lei (PL) 4.750/2025, que deu origem à nova lei. O texto, encaminhado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu relatório favorável do senador Omar Aziz (PSD-AM) e foi aprovado no Senado em 26 de novembro.

O senador Omar Aziz defendeu que o reajuste não se trata de um aumento salarial, mas de reposição por perdas ocorridas desde 2019.

Fonte: Agência Senado

Propostas pelo Congresso, 19 novas leis ampliaram proteção às mulheres em 2025

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A legislação sobre proteção social das mulheres ganhou um reforço importante em 2025: o Congresso Nacional aprovou e o Poder Executivo sancionou 19 novas leis sobre o tema — uma resposta ao cenário de discriminação e violência que as mulheres ainda enfrentam no país.

A Agência Senado analisou todas as leis federais sancionadas sobre o assunto nos últimos dez anos: 2025 só fica atrás de 2023, quando 21 normas entraram em vigor. Em seguida, vêm 2024 e 2022, com 13 leis cada. O ano com menos sanções foi 2020, com 4.

Das 19 normas que entraram em vigor desde janeiro deste ano, 4 foram sugeridas por senadores. A mais recente delas é a Lei 15.284, que assegura exame de mamografia pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a todas as mulheres a partir dos 40 anos. O texto foi publicado no Diário Oficial da União desta sexta-feira (19).

A nova lei teve origem no PL 499/2025, do senador Plínio Valério (PSDB-AM). O projeto de lei recebeu relatório favorável da senadora Damares Alves (Republicanos-DF) na Comissão de Assuntos Sociais (CAS). O autor lembra que o câncer de mama é a neoplasia maligna mais frequente na população feminina e um dos principais responsáveis pela mortalidade das mulheres brasileiras. Ele também ressalta que muitos casos são diagnosticados em pacientes com menos de 50 anos, o que justifica a antecipação do exame.

“Em que pese a recomendação do Ministério da Saúde para a realização de mamografia de rastreamento da doença em mulheres entre 50 e 69 anos, a cada dois anos, entidades médicas argumentam que o rastreamento deve ser feito anualmente a partir dos 40 anos, pois afirmam que ao menos 25% dos diagnósticos de câncer de mama acontecem em mulheres com menos de 50 anos”, argumenta Plínio Valério na justificativa do projeto.

Licença-maternidade

Outra norma sancionada neste ano é a Lei 15.222, que prorroga a licença-maternidade em caso de internação hospitalar prolongada da mãe ou do recém-nascido. O texto é resultado do PL 386/2023, proposto pela senadora Damares Alves.

“A prematuridade atinge 340 mil bebês brasileiros todos os anos. Essa situação, por si só desafiadora, é agravada pelo curto período de licença-maternidade assegurado em lei para essas mães. É imperioso reconhecer o direito de proteção das crianças prematuras (e de suas mães), que demandam mais atenção mesmo ao terem alta, haja vista o tempo de permanência no hospital ser descontado do período da licença”, argumenta a parlamentar na justificativa do projeto.

A senadora licenciada Margareth Buzetti (MT) propôs os outros dois projetos aprovados. O PL 2.291/2023, que deu origem à Lei 15.171, amplia o direito das mulheres à cirurgia plástica reparadora da mama em casos de mutilação total ou parcial. O PL 2.810/2025, que resultou na Lei 15.280, aumenta a pena para crimes contra a dignidade sexual de pessoas vulneráveis.

“A cada hora, quatro crianças ou adolescentes sofrem violência sexual no país. Entre as pessoas com deficiência, essa tipologia criminosa tem seus alvos preferenciais: mulheres e pessoas com deficiência intelectual, sobretudo na faixa etária de 10 a 19 anos”, explica Margareth Buzetti na justificativa do projeto.

Arcabouço legal

A legislação sobre proteção das mulheres engloba diversos temas da pauta feminina. São leis que tratam de segurança pública e justiça, saúde, bem-estar materno-infantil, trabalho, visibilidade social e reconhecimento de direitos, por exemplo.

Além dos 4 projetos que tiveram origem no Senado, o Parlamento aprovou e o presidente da República sancionou outras 15 matérias sobre o tema em 2025 (veja tabela abaixo).

Entre elas está a Lei 15.281, que cria uma estratégia de saúde direcionada às mulheres alcoolistas. A norma é resultado do PL 2.880/2023, proposto pelo deputado Capitão Alberto Neto (PL-AM). O texto determina a criação de ações específicas para mulheres usuárias e dependentes de álcool no SUS, em especial gestantes e puérperas (mães que acabaram de dar à luz).

A matéria foi relatada na CAS e na Comissão de Direitos Humanos (CDH) pelas senadoras Damares Alves e Professora Dorinha Seabra (União-TO), respectivamente.

“O índice de mulheres adultas que fazem uso abusivo do álcool passou de 9,7% em 2013 para 15,2% em 2023. Esse cenário é preocupante. O consumo excessivo de álcool traz impactos negativos à saúde e ao convívio social de qualquer pessoa. No entanto, as mulheres alcoolistas enfrentam desafios ainda mais complexos, tanto devido a fatores biológicos que intensificam os efeitos do álcool, quanto pelas pressões sociais que dificultam o acesso ao tratamento adequado”, pontua Dorinha Seabra no relatório aprovado pela CDH.

Violência sexual

Na área de segurança pública, o destaque é para a Lei 15.160, que proíbe a redução do prazo de prescrição em crimes de violência sexual contra a mulher. A norma é resultado do PL 419/2023, proposto pela deputada Laura Carneiro (PSD-RJ) e relatado pela senadora Professora Dorinha Seabra na CDH e na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

O Congresso aprovou ainda o PL 1.246/2021, da deputada Tabata Amaral (PSB-SP). O projeto deu origem à Lei 15.177, que garante uma reserva mínima de vagas para a participação de mulheres em conselhos de administração de empresas estatais. A implementação cota é gradual: 10% no primeiro ano; 20% no segundo; e 30% no terceiro.

A matéria foi relatada pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e pela senadora Professora Dorinha Seabra na CCJ. Na CDH, a relatoria coube à senadora Augusta Brito (PT-CE), procuradora especial da Mulher no Senado.

“Apesar de terem melhor instrução, as mulheres ocupam menor quantidade de cargos gerenciais (37%) e recebem menos que os homens para desempenhar funções semelhantes, auferindo 77% do que ganham seus colegas do sexo masculino. Estudos técnicos a respeito da participação das mulheres em cargos de direção revelam que elas melhoram o desempenho das empresas, contribuem para o aprimoramento da governança pública e potencializam a atuação corporativa pela criação de ambiente de gestão marcado pela diversidade”, afirma Augusta Brito no relatório.

Leis aprovadas em 2025

Lei 15.284 Assegura a todas as mulheres a partir dos 40 anos o direito à mamografia
Lei 15.281  Cria estratégia de saúde direcionada às mulheres alcoolistas
Lei 15.280  Agrava a pena dos crimes contra a dignidade sexual e prevê medidas protetivas de urgência e monitoração eletrônica
Lei 15.267 Garante assistência fisioterapêutica no SUS a pacientes submetidas a cirurgia de mastectomia
Lei 15.261  Inclui o Dia Internacional da Mulher no calendário nacional e cria o Dia Nacional e o Dia Internacional das Meninas
Lei 15.222 Prorroga a licença-maternidade em caso de internação hospitalar prolongada da mãe ou do recém-nascido
Lei 15.221  Cria a Semana Nacional de Conscientização sobre os Cuidados com as Gestantes e as Mães
Lei 15.214  Cria o Selo Cidade Mulher para municípios que se destacarem em políticas públicas para o bem-estar feminino
Lei 15.212 Denomina oficialmente Lei Maria da Penha a Lei 11.340, de 2006
Lei 15.198 Cria a Rede Nacional de Cooperação para o Enfrentamento da Violência Obstétrica
Lei 15.177 Obriga a reserva mínima de participação de mulheres em conselhos de administração de empresas estatais
Lei 15.176 Cria um programa nacional de proteção dos direitos da pessoa com síndrome de fibromialgia, que afeta predominantemente as mulheres
Lei 15.171  Amplia o direito das mulheres à cirurgia plástica reparadora da mama no SUS
Lei 15.160 Proíbe a redução do prazo de prescrição em crimes de violência sexual contra a mulher
Lei 15.139 Cria a Política Nacional de Humanização do Luto Materno e Parental
Lei 15.125 Prevê monitoração eletrônica do agressor durante aplicação de medida protetiva de urgência
Lei 15.124 Veda discriminação contra estudantes e pesquisadoras em bolsas de estudo e pesquisa em razão de gestação ou maternidade
Lei 15.123 Aumenta pena para violência psicológica contra a mulher quando praticada com o uso de inteligência artificial
Lei 15.116 Cria o Programa de Reconstrução Dentária no SUS para mulheres vítimas de violência doméstica

Próximos passos

O Senado analisa mais de 200 projetos e propostas de emenda à Constituição que ampliam a proteção social das mulheres. Na Câmara dos Deputados, são mais de 2 mil proposições em tramitação.

Uma dessas matérias é o PL 896/2023, da senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA). O texto inclui na Lei do Racismo (Lei 7.716, de 1989) os crimes cometidos em razão de misoginia. O projeto define misoginia como a conduta que manifeste ódio ou aversão às mulheres, baseada na crença da supremacia do gênero masculino.

A matéria foi aprovada na CDH e na CCJ com relatórios favoráveis das senadoras Jussara Lima (PSD-PI) e Soraya Thronicke (Podemos-MS). Como recebeu emendas de Plenário, o texto voltou à CDH. Para Soraya Thronicke, as redes sociais são usadas como ferramentas de misoginia e perseguição contra mulheres.

“A ascensão das redes sociais, onde a fiscalização do discurso nem sempre é eficaz, potencializa esses movimentos que professam ódio e aversão às mulheres. Perfis que defendem a inferioridade inata e a natureza vil das mulheres acumulam centenas de milhares de seguidores nessas plataformas digitais”, destaca Soraya Thronicke no relatório aprovado pela CCJ.

Outro projeto que aguarda votação é o PL 116/2020, da senadora Leila Barros (PDT-DF). O texto inclui na Lei Maria da Penha (Lei 11.340, de 2006) os crimes de violência eletrônica contra a mulher, como a perseguição digital — prática conhecida como stalking.

“O surgimento de dispositivos e aplicativos digitais trouxe novas formas de violência, que ocorrem principalmente on-line e por meio de telefone celulares. As mulheres são vítimas frequentes de perseguição, ameaças, exposição indevida da intimidade e outras condutas violentas executadas por meios eletrônicos”, argumenta Leila Barros na justificativa do projeto.

A matéria foi aprovada na CDH e na CCJ, com relatórios favoráveis dos senadores Paulo Paim (PT-RS) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB). O texto aguarda distribuição para as comissões permanentes da Câmara.

Outro projeto que depende de deliberação dos deputados é o PL 2.112/2022, apresentado pela então senadora Maria do Carmo Alves (SE), falecida em 2024. O texto incentiva a realização de concursos de monografias sobre a violência contra a mulher.

Fonte: Agência Senado

Plenário do Senado aprova quase 800 matérias em 2025

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Em 2025, o Senado aprovou importantes matérias de impacto econômico e social para o país. Foram 778 proposições legislativas aprovadas no Plenário da Casa, sendo 122 projetos de lei, 17 medidas provisórias e 9 propostas de emenda à Constituição.

O Senado realizou 198 sessões plenárias ao longo do ano. Desse total, 69 foram sessões deliberativas ordinárias — aquelas em que as matérias vão a votação e podem ser aprovadas.

Em termos absolutos, o mês de agosto foi o mais produtivo do Plenário do Senado no ano, com 107 matérias aprovadas. O mês de maio vem em segundo lugar, com 89 matérias aprovadas. Na sequência vêm: abril (86), março (84) e dezembro (83).

Os dados constam de um balanço feito pela Secretaria-Geral da Mesa do Senado, principal órgão de assessoramento técnico-legislativo da Mesa Diretora da Casa. Essa secretaria gerencia todo o processo legislativo no Senado, além de secretariar as sessões e reuniões dos órgãos colegiados da Casa, entre outras funções.

Comissões

Além das aprovações em Plenário, o Senado também registrou intensa produção legislativa em suas comissões: do total de projetos aprovados pelo Senado  neste ano, 403 nem precisaram passar pelo Plenário, pois foram aprovados de forma terminativa nas comissões da Casa.

A decisão terminativa em uma comissão dispensa a votação da matéria em Plenário (a não ser que seja apresentado recurso com esse objetivo), permitindo que o projeto siga diretamente para a etapa seguinte — que pode ser a análise na Câmara dos Deputados, a sanção do presidente da República, a promulgação ou o arquivamento do texto.

De acordo com a Secretaria-Geral da Mesa, das 403 matérias aprovadas de forma terminativa, 226 são projetos de decreto legislativo, 176 são projetos de lei e há um projeto de resolução do Senado. Mais da metade (219) tratam de questões de infraestrutura, enquanto 93 estão relacionadas a políticas sociais.

Economia

A secretaria também fez um levantamento sobre o conteúdo das matérias votadas no Plenário do Senado. E constatou que, das quase 800 aprovadas em Plenário, 95 estão relacionadas à temática de economia e desenvolvimento.

Foi o caso do projeto de lei que isenta do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil mensais, além de reduzir alíquotas para salários mensais que estão acima de R$ 5 mil e vão até R$ 7.350. Para compensar os cofres públicos pela perda de arrecadação, o projeto (PL 1.087/2025) aumenta a taxação de altas rendas: aquelas a partir de R$ 600 mil anuais.

A proposta foi apresentada pelo Executivo, aprovada na Câmara e no Senado e, no final de novembro, transformada em norma: Lei 15.270, de 2025. O relator da matéria no Senado, onde a matéria foi aprovada no dia 5 de novembro, foi Renan Calheiros (MDB-AL). O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, destacou que o texto tramitou no Senado “de forma célere e responsável”.

— Graças a esse esforço conjunto, garantimos que o benefício entre em vigor já em janeiro de 2026 — afirmou Davi na ocasião.

Além disso, o Plenário do Senado aprovou no dia 17 de dezembro o projeto que reduz em 10% os benefícios fiscais federais de diversos setores e, simultaneamente, aumenta a tributação de bets e fintechs (PLP 128/2025). O texto também aumenta a tributação dos juros sobre o capital próprio. Essa matéria aguarda a sanção da Presidência da República.

Políticas sociais

Outro tema comum entre as matérias aprovadas pelo Plenário do Senado foram as políticas sociais: 89 delas estavam relacionadas a esse tema.

É o caso do PL 2.628/2022, projeto que cria regras para a proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais. Aprovado pela Casa em agosto, o chamado de “PL da Adultização” já foi transformado em norma (Lei 15.211, de 2025).

Também se inclui nesse tema o projeto que prevê medidas para promover a participação na sociedade das pessoas com diabetes do tipo 1, além de tratar dos direitos dessas pessoas (PL 5.868/2025). De autoria do senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), a iniciativa foi aprovada em dezembro pelo Senado, com parecer favorável do senador Humberto Costa (PT-PE), e agora aguarda a análise da Câmara dos Deputados.

Meio ambiente

Em relação ao meio ambiente, o levantamento indica que neste ano houve 12 proposições aprovadas pelo Plenário do Senado. Uma delas é o PL 2.159/2021, projeto que cria a Lei Geral do Licenciamento Ambiental.

O projeto foi aprovado pelo Senado em maio. De acordo com os parlamentares que apoiam a iniciativa, o objetivo é uniformizar os procedimentos para emissão de licença ambiental em todo o país e simplificar a concessão de licenças para os empreendimentos de menor impacto. O texto foi transformado na Lei 15.190, de 2025.

Outra matéria sobre o tema é a MP 1.308/2025, medida provisória que cria a licença ambiental especial (LAE) para empreendimentos considerados estratégicos pelo governo federal. Essa proposição foi aprovada em dezembro e aguarda a sanção da Presidência da República.

Fonte: Agência Senado

PF amplia presença no Amazonas com criação de novas delegacias no interior do estado

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Portaria MJSP nº 1.112 institui unidades da Polícia Federal em Humaitá e Tefé
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Manaus/AM. A Portaria MJSP nº 1.112, de 19/12/2025, publicada no Diário Oficial da União em 22/12/2025, oficializou a criação de duas novas Delegacias da Polícia Federal no interior do Amazonas, nos municípios de Humaitá e Tefé. A medida representa um avanço estratégico na interiorização das ações da Polícia Federal e no fortalecimento da presença do Estado brasileiro na Amazônia Legal.

A instalação da Delegacia da Polícia Federal em Humaitá fortalece a presença da instituição na Amazônia Legal e representa um avanço relevante para a região. No sul do Amazonas, a atuação da PF é essencial no enfrentamento ao tráfico de drogas, ao contrabando e, sobretudo, aos crimes ambientais, como a exploração ilegal de madeira, a caça de animais silvestres e o garimpo clandestino.

A nova unidade de Humaitá contará, em sua estrutura inicial, com um Chefe de Delegacia e pelo menos cinco subchefias, assegurando capacidade administrativa e operacional para atender às demandas locais e regionais.

A Delegacia de Tefé, situada em uma área estratégica do médio Solimões, será estruturada também com um Chefe de Delegacia e cinco subchefias, ampliando a atuação da Polícia Federal em uma região de grande importância logística, social e ambiental.

Com a criação das Delegacias de Humaitá e Tefé, a Polícia Federal reafirma seu compromisso com a segurança pública, o enfrentamento ao crime organizado, a proteção do meio ambiente e a presença institucional no interior do Amazonas, fortalecendo a atuação federal em áreas estratégicas da Amazônia Legal.

Comunicação Social da Polícia Federal no Amazonas