Audiência pública discute impactos da terceirização no SUS em Rondônia

Com pauta única, a terceirização do sistema público de saúde foi tema central de audiência pública promovida em Porto Velho, pelo Conselho Estadual de Saúde. O Ministério Público de Rondônia participou do encontro por meio do Promotor de Justiça Leandro da Costa Gandolfo, titular da Curadoria da Saúde da capital. O evento contou com a presença de gestores, representantes de conselhos, sindicatos, movimentos sociais e órgãos de controle.

O objetivo da audiência foi promover o debate sobre a aplicação da terceirização no Sistema Único de Saúde (SUS) em Rondônia, com foco nas consequências para usuários, trabalhadores e para a gestão pública. A proposta, segundo os organizadores, é buscar caminhos para resolver gargalos da rede sem comprometer a qualidade do atendimento.

Conceitos distintos
Em sua fala, o Promotor de Justiça Leandro Gandolfo destacou a importância de diferenciar privatização e terceirização, termos frequentemente confundidos na discussão pública. Segundo ele, a privatização da saúde é vedada pela Constituição e, portanto, ilegal. Já a terceirização pode ser admitida em casos específicos, desde que respeitados os limites legais.

“É necessário separar o que pode ou não pode ser feito. A terceirização é um meio, não um fim. Pode ser utilizada para complementar a atuação do Estado em situações onde há carência de profissionais, mas sempre com responsabilidade, fiscalização e metas claras”, afirmou.
O representante do MPRO também lembrou que a atuação do Ministério Público está voltada à defesa dos interesses da população. “Nosso papel é buscar uma saúde pública digna, como previsto na Constituição. Não se trata de ideologia, mas de garantir direitos”, pontuou.

 

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Déficit de profissionais
Ao abordar os desafios enfrentados pela saúde pública no estado, o promotor mencionou a escassez de médicos especialistas como um dos fatores que levam à contratação de serviços terceirizados. Segundo ele, a dificuldade de fixação de profissionais em determinadas regiões e a baixa remuneração contribuem para o problema.
“A terceirização pode ser necessária, por exemplo, quando se trata de especialidades médicas para as quais o Estado não dispõe de profissionais. Mas, paralelamente, é preciso investir na formação, na valorização dos servidores e na estruturação do sistema público”, defendeu.

 

Experiências práticas
Durante a audiência, o promotor Leandro Gandolfo apresentou exemplos concretos sobre o uso da terceirização em Rondônia. Um dos casos citados foi o Hospital João Paulo II, em Porto Velho, que no passado registrou melhora significativa após a contratação complementar de serviços. Por outro lado, relatou que em Guajará-Mirim, a terceirização recente não resolveu os problemas do hospital local. “Temos estrutura, mas não temos pacientes. Isso mostra que a terceirização, se mal planejada, não resolve. É necessário ter métricas, fluxo e foco na demanda real”, disse.

O representante do MPRO reforçou que o debate precisa ser técnico e desprovido de paixões. “Não se trata de ser contra ou a favor da terceirização. Trata-se de avaliar onde ela é possível, útil e legal, e de exigir o seu uso com planejamento e controle”, concluiu.

 

Direito garantido
O direito à saúde está previsto na Constituição Federal como dever do Estado e direito de todos. O MPRO atua para que esse direito seja efetivado, seja por meio de ações judiciais, articulação com gestores públicos ou incentivo à formulação de políticas públicas. A audiência pública reforça o compromisso institucional com a construção coletiva de soluções para os desafios do SUS em Rondônia.

Gerência de Comunicação Integrada (GCI)























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